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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

HERÓIS EM AÇÃO: OS CAMPEÕES


    
    
      Entre 1975 e 1978, Los Angeles teve, pela primeira vez, a sua própria equipa de super-heróis. Reunindo dois mutantes, um semideus, um vigilante sobrenatural e uma espia soviética, os Campeões foram um grupo pouco ortodoxo. Assim se explicando a sua curta carreira. Saibam agora como se juntou este lote de heróis improváveis:

Nome original: The Champions of Los Angeles
Criadores: Tony Isabella e Don Heck
Licenciador: Marvel Comics
Primeira aparição: Champions nº1 (outubro de 1975)
Composição: Anjo, Homem de Gelo, Hércules, Motoqueiro Fantasma e Viúva Negra. Mais tarde, Estrela Negra juntar-se-ia ao grupo e o Golias Negro tornar-se-ia membro honorário.
Base de operações: Los Angeles

      Com pompa e circunstância, os Campeões estrearam-se como a primeira superequipa de Los Angeles. A falta de liderança e de união entre os seus membros cedo traçou, porém, o seu destino.
       O grupo reuniu-se para travar o ataque lançado pelo deus Plutão ao campus da Universidade de Los Angeles onde Hércules e a deusa Vénus lecionavam na altura. O plano consistia em forçar ambos a casar com Hipólita e Ares, respetivamente com o objetivo de derrubar Zeus do trono do Olimpo.
       Com o auxílio dos antigos X-Men Anjo e Homem de Gelo, do demoníaco Motoqueiro Fantasma e da ex-espia soviética Viúva Negra, Hércules e Vénus conseguiram frustrar os planos de Plutão. Findo o conflito, Vénus regressou ao Olimpo enquanto Hércules resolveu permanecer na Terra ao lado dos seus novos aliados. Surgiam assim os Campeões. Os créditos pelo crisma da equipa são normalmente atribuídos ao argumentista e editor da Marvel Comics David Anthony Kraft. Contudo, a ideia de criar um grupo de super-heróis sediado em LA partiu do também argumentista Tony Isabella. Inicialmente, a equipa deveria integrar antigos X-Men (daí a inclusão do Anjo e do Homem de  Gelo, membros fundadores do grupo mutante) e o recém-criado Golias Negro. Este último, porém, teve direito a um título próprio pelo que Tony Isabella teve de reformular o conceito original.
Capa de Champions nº1 (1975).

       Face à insistência do editor Len Wein em que os Campeões contassem com, pelo menos, cinco integrantes, Isabella não teve outro remédio senão adicionar três personagens consagradas à equipa. Até ao último momento, o Capitão Marvel, Luke Cage e O Filho de Satã foram cogitados para ocupar a terceira vaga, antes de a mesma ser atribuída ao Motoqueiro Fantasma.
        Principiava assim a  efémera carreira dos Campeões nos comics: entre outubro de 1975 e janeiro de 1978, foram publicados apenas 17 números. Ao longo dos quais, o grupo, financiado por Warren Worthington III (alter-ego milionário do Anjo), enfrentou ameaças exóticas como os Supersoldados  criados pelo cientista louco Dr. Edward Lansing,  pseudo Sentinelas ou o Homem Titânio, entre outros. Pelo meio, outra heroína russa, Estrela Negra, juntar-se-ia aos Campeões que, todavia, sempre tiveram enormes dificuldades em funcionar como uma verdadeira equipa. Também o Golias Negro passou a colaborar ocasionalmente com a equipa como consultor científico.
Estrela Negra

        Um dos grandes equívocos em que os Campeões estiveram envolvidos foi quando tentaram travar o Hulk quando este procurava salvar Jennifer Walters (a futura Mulher-Hulk) que estava à beira da morte na sequência de uma transfusão sanguínea contaminada com radiação gama.
        No fundo, os Campeões foram os seus próprios maiores inimigos. O Motoqueiro Fantasma e Estrela Negra nunca foram aceites pelos seus companheiros; o Homem de Gelo era um herói renitente; Hércules não tinha eira nem beira e as tensões internas não tardaram a ditar o desmantelamento da equipa.
        Excetuando o Anjo, todos os restantes membros desistiram dos Campeões. Conservando a velha amizade que os unia, ele e o Homem de Gelo lutaram lado a lado em várias outras equipas (como os Novos Defensores e X-Factor). Hércules e a Viúva Negra tornaram-se amantes mas não tardaram a separar-se, embora ambos se tenham entretanto juntado aos Vingadores. Estrela Negra regressou à URSS e os Campeões perderam-se na memória dos fãs.
        Ainda houve, num passado recente, uma pouco convicta tentativa de reunir a equipa numa aventura da X-Force onde novamente frustraram os planos de Plutão. Não resultou. Mas todos sabemos que, nos comics, tudo é possível e, tal como na vida, nunca se deve dizer nunca...

Golias Negro

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

NÉMESIS: PALHAÇO / VIOLADOR




     Já repararam como um palhaço pode ser uma figura sinistra? Quem não se assustaria se se cruzasse com um numa viela escura à noite? E se na realidade ele fosse um demónio medonho nascido das profundezas infernais e que responde pelo sugestivo nome de Violador?

Nome original: The Clown/Violator
Criador: Todd McFarlane
Primeira aparição: Spawn nº1 (como Palhaço) e Spawn nº2 (como Violador) em abril e maio de 1992, respetivamente.
Licenciador: Image Comics
Alter-ego: Palhaço
Origem: Inferno
Base de operações: Móvel
Poderes e armas:  O  Violador é um demónio e como tal possui todos os poderes infernais tais como superforça, teletransporte, transformismo, fator de cura, telepatia, necromancia e telepatia. Desconhece-se a verdadeira extensão do seu poder embora seja claro que ele pode facilmente obliterar um Spawn. Está contudo proibido de o fazer sem ordens do seu mestre Malebolgia.

      O Violador é o mais velho e poderoso dos cinco demónios nascidos no Inferno conhecidos por Irmãos Flebíacos. A sua missão consiste em treinar e supervisionar os novos generais do exército infernal, o que tem feito ao longo de séculos. Esses generais são os Hellspawns. Sendo o atual Spawn Al Simmons (ver "Heróis em Ação: Spawn"), o Violador nutre uma especial antipatia por ele por considerar que deveriam ser os demónios e não os humanos a comandar as legiões infernais aquando do Armagedão. 
     Sob o disfarce de Palhaço (um anão disforme com um sentido de humor retorcido que faz o Joker parecer um menino do coro), esconde-se uma poderosa e vil criatura que figura na lista dos vilões mais temíveis de todos os tempos. A comprová-lo está o facto de o site IGN ter recentemente divulgado o top 100 dos vilões, ocupando o Violador a 97ª posição.
      Depois de se estrear  nas páginas do primeiro número de Spawn como Palhaço, foi na edição seguinte que os leitores conheceram o abominável Violador. Desde então que ele, literalmente, inferniza a vida do Spawn. O Palhaço é o alter-ego que o demónio assume sempre que precisa mover-se entre os humanos. Como imagem de marca, usa o rosto pintado de azul. Sempre  que se apodera de um corpo, o rosto da vítima assume o mesmo aspeto.

A verdadeira aparência do Violador.

      As batalhas que opuseram o Violador ao atual Spawn foram brutais e humilhantes para o vilão. Numa em particular, o demónio veio ao nosso mundo para impedir que Spawn se afastasse do caminho do Mal mas foi prontamente derrotado. Dado como morto, o Violador ressuscitou pouco tempo depois e continuou a atormentar Spawn e todos os que lhe são queridos. Muitas vezes os combates entre ambos são tanto psicológicos como físicos. Como Palhaço, obtém grande deleite em "trabalhar nos bastidores", virando do avesso a vida de Spawn. Uma das suas manobras favoritas consiste em virar amigos e aliados de Spawn contra ele, levando a que o traiam ou tentem matar.
       No filme Spawn (1997), coube ao ator John Leguizamo encarnar o Palhaço num papel que lhe valeu muitos elogios por parte dos fãs de comics. Já o Violador foi digitalmente concebido. Na série animada transmitida pelo canal HBO Todd McFarlane's Spawn, o Violador surge apenas em três episódios. Já o Palhaço marca presença em quase todos. A banda heavy metal Iced Earth compôs a canção "Violate" baseada no Violador, sendo todo o álbum The Dark Saga inspirado no universo de Spawn.

John Leguizamo como Palhaço em Spawn (1997).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

ETERNOS: JOE SIMON (1913-2011)

   

    Com a vetusta idade de 98 anos, faleceu no pretérito dia 14 de dezembro em Nova Iorque Joe Simon, um dos decanos dos comics e cocriador do Capitão América. Desaparece assim um dos últimos representantes de uma geração extraordinária de criadores que deu a conhecer ao mundo a chamada Idade do Ouro da banda desenhada norte-americana. É com enorme pesar e respeito que lhe presto aqui a minha homenagem póstuma.
     Argumentista, desenhador e editor, Joe Simon era considerado uma lenda viva. Em parceria com Jack Kirby, criou em 1941 o Capitão América para a editora Timely Comics (antecessora da Marvel). Foi aliás da sua colaboração com Kirby que nasceu o protótipo do Homem-Aranha (cujos créditos são oficialmente atribuídos a Stan Lee e Steve Ditko).
     Crismado à nascença de Hymie Simon a 11 de outubro de 1913 em Rochester (Nova Iorque), Joe era filho de um emigrante inglês e de uma norte-americana. Na adolescência, frequentou o liceu Benjamin Franklin onde trabalhou como diretor artístico no jornal escolar e no respetivo anuário. Concluídos os estudos liceais em 1932, logo foi contratado como assistente do diretor artístico do Rochester Journal American, substituindo o seu futuro colega nos comics, Al Liederman. Dois anos depois, Simon transferiu-se para o Syracuse Herald onde trabalhou, entre outras coisas, como cartunista. O jornal contudo não tardaria a falir e Simon, então com 23 anos, resolveu tentar a sua sorte em Nova Iorque. Na Grande Maçã trabalhou como freenlancer em várias publicações e também na Broadway onde retocava as fotos publicitárias dos estúdios.
       Foi nessa época que conheceu Lloyd Jacquet, diretor executivo da Funnies, Inc. que fornecia material a pedido das editoras que ainda não dispunham das suas próprias equipas criativas. O primeiro trabalho de Simon nessa área foi um western de sete páginas.
       Não tardaria contudo a ser convidado a criar um novo super-herói para a Timely Comics depois do êxito do primeiro Tocha Humana (The Human Torch) em 1939. Usando o pseudónimo Gregory Sykes, Simon criou assim a sua primeira personagem: Fiery Mask. À qual se seguiriam muitas outras. A notoriedade, porém, só chegaria em 1941 com o patriótico Captain America, resultado da parceria de Simon e Jack Kirby. As perspetivas dinâmicas das histórias do Sentinela da Liberdade, assim como um uso arrojado dos layouts, fez furor entre os leitores. E por isso Simon convidou Kirby a juntar-se à equipa criativa da Timely.
Captain America nº1 com arte de Jack Kirby.

       Descontente com as suas condições salariais, Simon abandonaria pouco tempo depois a Timely para se juntar à arquirrival National Comics (antepassada da atual DC). Nessa nova etapa, Simon criou várias novas personagens, entre quais Sandman (1939) e Manhunter (1942).
       Durante a II Guerra Mundial, Simon serviu na Guarda Costeira norte-americana. Findo o conflito, regressou a Nova Iorque onde desposaria Harriet Feldman com a qual teria quatro filhos.
       Ao longo da década de 1950 , Simon desenvolveu um trabalho profícuo em vários géneros. Pelo meio, em 1955. chegaria ao fim a sua parceria com Kirby, embora a amizade entre ambos perdurasse. Contudo, em 1966, a dupla voltaria a juntar-se ao serviço da Harvey Comics que os encarregara de relançar a sua principal personagem: Fighting American. Dois anos mais tarde, Joe Simon teria uma nova passagem pela DC, ainda que fugaz.  Seria em 1974 que a dupla maravilha Simon/Kirby se reuniria pela última vez com o objetivo de relançar Sandman.
       Já no século XXI, Simon dedicou-se a pintar e vender reproduções de algumas das primeiras capas da sua autoria. Viveu ainda o suficiente para, em 2007, testemunhar a morte do seu filho dileto, o Capitão América, no âmbito da maxissaga "Guerra Civil" (Civil War), a qual o deixou consternado.
        Ao longo da sua prolífica carreira, apenas foi premiado em duas ocasiões: conquistou o Inkpot Award em 1998 e o Will Eisner Comic Book Hall of Fame no ano seguinte. O maior prémio contudo foi o carinho granjeou junto de várias gerações de fãs.
Sandman, outra das criações emblemáticas de Simon.


DO FUNDO DO BAÚ




      Revisito hoje com um misto de ternura e nostalgia aquela que foi uma das melhores histórias do Quarteto Fantástico que tive o privilégio de ler ainda antes de me tornar um colecionador compulsivo de comics. Fã incondicional do Quarteto à época (sendo esta ainda hoje uma das minhas superequipas favoritas), foi com assombro e deleite que devorei as páginas do 12º número da 1ª série de Grandes Heróis Marvel, o qual me fora gentilmente emprestado por um primo mais velho, também ele consumidor de banda desenhada com super-heróis. Alguns anos depois, este seria um dos primeiros volumes que acrescentaria ao meu acervo.
      Publicado no Brasil em junho de 1986 (a Portugal chegaria cerca de 6 meses depois dado o habitual desfasamento editorial) pela Abril Jovem, o Grandes Heróis Marvel (GHM) nº12 apresentava uma aventura épica de tirar o fôlego. Para salvar a Terra da ameaça do terrível vilão cósmico Esfinge, o Quarteto Fantástico procura a ajuda de um dos seus arqui-inimigos. Nada mais nada menos do que Galactus, o Devorador de Mundos. Isto porque três dos membros do grupo (exceto o Tocha Humana), haviam sido atingidos por um raio que provocava o envelhecimento precoce quando ajudavam a soberana de Xandar a rechaçar uma invasão dos Skrulls, também eles velhos inimigos do Quarteto.
     Relutante, Galactus aceita aliar-se ao Quarteto Fantástico para derrotar Esfinge. Como contrapartida, Reed Richards revoga o juramento que obrigara a criatura a fazer décadas antes e que a proibia de atacar o nosso planeta. Pelo meio, os leitores testemunharam o nascimento do mais recente arauto do Devorador de Mundos: Terrax, o Dominador.
     Numa batalha titânica tendo como cenário as pirâmides egípcias, Galactus derrota Esfinge que sonhava destruir a Terra para fazer renascer o Antigo Egito onde nascera. No final, Galactus reclama o seu prémio mas é surpreendido pela audácia do Senhor Fantástico que, enquanto os colossos se digladiavam, construíra uma réplica do nulificador definitivo, a única arma temida pelo Devorador de Mundos. Com a promessa de regressar um dia, Galactus abandona a Terra. Aos três membros do Quarteto precocememente envelhecidos já não restam, porém,  forças para comemorar.
     Numa corrida contra o tempo, cabe ao benjamim da equipa tentar reverter os efeitos do raio dos Skrulls enquanto o Sr. Fantástico, a Mulher Invisível e o Coisa repousam em câmaras criogénicas. Para complicar ainda mais as coisas, enquanto procura auxílio junto de velhos aliados, o Tocha Humana é atacado de surpresa por um  robô Skrull que lograra infiltrar-se no quartel-general da equipa. Só a muito custo consegue desenvencilhar-se dele e não tem outro remédio senão acordar Reed Richards do seu estase pois apenas o seu intelecto poderá encontrar uma cura para o envelhecimento acelerado. Trabalhando contrarrelógio, ambos conseguem construir um dispositivo que reverterá a terrível condição dos demais membros do grupo.
     Embora inicialmente (para desespero de Johny Storm) os esforços pareçam infrutíferos, os seus companheiros acabam por rejuvenescer e o Quarteto Fantástico continua sequioso de novas aventuras.
     A história em três partes, foi magistralmente escrita por Marv Wolfman e primorosamente ilustrada por John Byrne, uma dupla maravilha que, quando se juntava, produzia épicos inolvidáveis como este.
    Recorde-se que Grandes Heróis Marvel era um título trimestral da editora Abril Jovem que teve três séries: na primeira foram lançados 66 números entre 1983 e 1999; na segunda (2000) 6 números; e na terceira (2000-2001) foram publicados 17 volumes. Recentemente, a Panini Comics (atual detentora dos direitos de publicação das personagens Marvel/DC no Brasil) ressuscitou esse lendário título agora com periodicidade mensal. Claro que aproveitei a oportunidade para o adicionar à minha coleção.