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terça-feira, 15 de maio de 2012

FÁBRICAS DE MITOS: DETECTIVE COMICS



        Rival histórica da Marvel Comics, a DC resulta da amálgama de várias companhias, sendo atualmente uma subsidiária da Time Warner. Foi a primeira editora a publicar histórias com super-heróis. Com o tempo, adotou a sigla de um dos seus títulos mais antigos: Detective Comics.

Ilustração clássica do Universo DC.

         Corria o ano de 1934 quando Major Malcolm Wheeler-Nicholson fundou em Nova Iorque a National Allied Publications(NAP). No ano seguinte, a nova editora lançou More Fun Comics (mais tarde conhecida como New Fun e More Fun). Tratava-se da  primeira revista aos quadradinhos em formato tabloide que apresentava mais material inédito do que reedições de tiras originalmente publicadas em jornais. Foi no seu sexto número que se estreou uma dupla que ficaria mundialmente famosa: Jerry Siegel e Joe Shuster. À época, os futuros "pais" do Homem de Aço produziam, sob pseudónimos, as aventuras do mosqueteiro Henri Duval e do combatente sobrenatural do crime, Doutor Oculto.
            Face ao sucesso de More Fun Comics, Wheeler-Nicholson resolveu lançar um segundo título: em dezembro de 1935, chegou às bancas New Comics, que ficaria célebre por ter inaugurado a chamada Idade do Ouro dos Quadradinhos.
             O terceiro e último título lançado sob a égide da NAP foi Detective Comics (março de 1937). Tratava-se de uma série de antologias que se tornou uma sensação quando introduziu Batman dois anos depois. Nessa altura, porém, Wheeler-Nicholson já cessara a sua participação na empresa. De modo a honrar compromissos financeiros, o fundador da NAP aceitou Harry Donenfeld como sócio. Em conjunto com Jack Liebowitz, formaram a Detective Comics, Inc. Como as dívidas de Wheeler-Nicholson persistiam, foi obrigado a abandonar o projeto.

Batman estreou-se no nº26 de Detective Comics (1939).
             A NAP e a DC eram, com efeito, propriedade dos mesmos acionistas. Coube, no entanto, à primeira a ideia de iniciar uma quarta série regular. Estrelada pelo debutante Superman, Action Comics nº1 chegou às bancas em junho de 1938, obtendo um sucesso estratosférico. Na esteira do qual, a editora introduziu um lote novas personagens que se tornariam icónicas: Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Sociedade da Justiça da América, entre muitas outras.
             Em 1944, a NAP e a DC fundiram-se, daí resultando a National Comics. A qual absorveu também a All-American Comics, propriedade de Jack Liebowitz e Maxwell Gaines.
             Apesar de o nome oficial ser National Comics e National Periodical Publications, a empresa era coloquialmente conhecida como DC Comics e o logótipo "DC-Superman" foi desde muito cedo usado na linha.

Action Comics nº1 (1938) estrelada por Superman.
               No período subsequente à II Guerra Mundial, o género de super-heróis perdeu fulgor. Em resposta a esta nova conjuntura, a DC não hesitou em apostar noutros géneros. Ficção científica, western, terror e romance foram alguns dos sucedâneos encontrados. Contudo, a despeito da redução das respetivas tiragens, títulos como Action Comics e Detective Comics sobreviveram ao declínio.
               Foi preciso esperar até meados da década de 1950 para se assistir a uma revitalização dos super-heróis. Esse período, comummente designado Idade da Prata dos Quadradinhos, foi inaugurado com a reformulação, sob a batuta do então editor-chefe Julius Shwartz, de duas personagens clássicas do universo DC: Flash e Lanterna Verde. Com a modernização das suas origens, poderes e visuais, procurava-se atrair uma nova safra de leitores. O objetivo foi atingido e, em consequência, surgiu uma miríade de novas personagens e títulos. Uma política expansionista que foi travada no início da década seguinte em virtude do surgimento da arquirrival Marvel Comics.
              Com o primeiro lugar no mercado norte-americano de comics ameaçado, em 1967 Carmine Infantino (artista do Batman), assumiu as funções de diretor editorial e recrutou pesos-pesados da indústria como Steve Ditko (cocriador do Homem-Aranha) e novatos promissores como Neal Adams (que dera nas vistas com o trabalho desenvolvido em X-Men).
              Com vários reveses de permeio, a DC procurou reconquistar a sua posição hegemónica no mercado ao longo das décadas de 1970 e 1980. Agora capitaneada pelo vice-presidente Paul Levitz e pelo editor Dick Giordano, a empresa imitou algumas editoras independentes na prática de oferecem parcerias e royalties. O objetivo era atrair artistas renomados e novos talentos visando revitalizar todo o universo DC.  Este projeto culminou com Crisis on Infinite Earths (Crise nas Infinitas Terras), dando uma rara oportunidade de descartar meio século de histórias e assim relançar as personagens de charneira da DC. Também em resultado dessa nova liberdade criativa, as minisséries Batman: The Dark Knight Returns (de Frank Miller) e Watchmen (de Alan Moore e Dave Gibbons) atraíram a atenção sobre a revolução em curso na DC. E permitiram-lhe, em articulação com uma agressiva estratégia de marketing, desafiar a liderança da Marvel Comics.
Wheeler-Nicholson, o "pai" da DC Comics.
               Em setembro de 2009, a Warner Bros. anunciou que a DC Comics se tornaria uma subsidiára da DC Entertainment Inc. com Diane  Nelson, até então presidente da Warner Premiere, a assumir a chefia da nova empresa e da DC Comics. Paul Levitz, por sua vez, foi relegado para o cargo de consultor  geral. Em 2011, a editora abandonou o Comics Code Autorithy, criando o seu próprio sistema de classificação etária. Ainda nesse ano, todos os títulos do universo DC voltaram ao número zero e os principais super-heróis tiveram as suas origens e visuais reformulados.
Em 2011, Superman e companhia ganharam visuais mais modernos.
             À semelhança da empresa que representa, também o logótipo da DC evoluiu ao longo dos anos, tendo o atual sido apresentado no início do presente ano. Com efeito, o primeiro logótipo com a sigla DC (abreviatura do título Detective Comics, ainda hoje publicado) surgiu pela primeira vez em março de 1940. Foi sucessivamente modificado até que, em 2008, a editora processou o fabricante de calçado DC Shoes por plágio. O feitiço virou-se, porém, contra o feiticeiro quando a DC Shoes descobriu que a DC Comics não registara o logótipo e avançou, por sua vez, com um processo judicial. Embora esse não seja reconhecido como o motivo oficial, já este ano a DC deu a conhecer um novo logótipo, apelidado de DC Spin e desenvolvido por Josh Beatman dos Brainchild Studios.
                  
Dos primórdios à atualidade: a evolução do logótipo da DC.