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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

GALERIA DE VILÕES: MORBIUS





     Na sua desesperada busca por uma cura para a rara doença sanguínea de que é portador, Michael Morbius transformou-se num vampiro vivo. Entre ele e as suas vítimas, costuma intrometer-se um certo escalador de paredes.

Nome original: Morbius, The Living Vampire
Primeira aparição: Amazing Spider-Man nº101 (outubro de 1971)
Criadores: Roy Thomas (história) e Gil Kane (arte)
Licenciadora: Marvel Comics
Identidade Civil: Michael Morbius
Nacionalidade: grega
Parentes conhecidos: Makarioa Morbius (pai)
Base de operações: Móvel
Filiação: Filhos da Meia Noite, Legião dos Monstros e A.R.M.O.R.
Poderes e armas: Em resultado de a sua transformação ter uma origem científica ao invés de mística, Morbius é considerado um pseudo vampiro. Ainda assim, ele possui um conjunto de habilidades meta-humanas características da espécie vampírica. A saber:

* força, velocidade, resistência e reflexos sobre-humanos;
* sentidos hiperaguçados;
* fator de cura acelerada;
* presas e garras;
* capacidade de planar;
* hipnotismo;
*criação vampírica (à semelhança dos vampiros genuínos, Morbius consegue converter indivíduos em vampiros através de uma simples mordedura);
* imunidade à maior parte das vulnerabilidades dos vampiros (tratando-se de um pseudo vampiro, Morbius não é afetado por ícones religiosos, nem é incinerado quando exposto à luz solar)

Fraquezas: Enquanto pseudo vampiro, a principal fraqueza de Morbius reside na sua necessidade de se alimentar regularmente com sangue fresco para assim manter a sua vitalidade física e mental. Pode, no entanto, abster-se de o fazer durante largos períodos de tempo, bastando para isso dispor da força de vontade necessária. Essa prolongada privação de alimento conduz a uma fraqueza crescente, inversamente proporcional ao seu autocontrolo. Por outro lado, embora a exposição solar não lhe seja letal, os seus olhos e a sua pele são muitos sensíveis à radiação emanada do astro-rei.

O primeiro confronto entre Morbius e o Homem-Aranha ocorreu nas páginas de The Amazing Spider-Man nº101.

Biografia e história de publicação:  A personagem Morbius foi criada na sequência do levantamento da autocensura imposta na indústria norte-americana de quadradinhos, consubstanciada na Comics Code Authority. A qual, anteriormente, banira das páginas desse tipo de publicações todo o tipo de monstros e criaturas sobrenaturais como vampiros, lobisomens e quejandos.
           Instruída a evitar todo e qualquer elemento gótico nas suas histórias, a dupla criativa composta pelo argumentista Roy Thomas e pelo desenhador Gil Kane, optou por conferir um visual mais sóbrio ao novel vilão do universo Marvel. Nesse sentido, foram escolhidas duas cores primárias (azul e vermelho, em linha com os uniformes do Homem-Aranha e do Capitão América) para o seu traje. Com o propósito de se demarcar dos clichés vampíricos, a origem de Morbius não era mística, mas antes científica.
          Com efeito, o Doutor Michael Morbius antes de sofrer a sua macabra transformação, era um brilhante bioquímico grego, laureado com um prémio Nobel e especialista em doenças sanguíneas. Quando descobriu que ele próprio era portador de uma rara patologia, tornou-se obcecado na busca de uma cura e começou a estudar morcegos vampiros.  Um acidente durante uma experiência envolvendo esses animais e eletrochoques converteu-o numa criatura em tudo semelhante a um vampiro, com uma desmesurada sede de sangue. Para a saciar, Morbius jurou matar apenas criminosos. Não obstante, os seus atos colocaram-no em rota de colisão com vários super-heróis, designadamente o Homem-Aranha.
          Tiveram pouco sucesso as várias tentativas de cura de Morbius ao longo dos anos. Numa das ocasiões em que conseguiu curar-se temporariamente da sua condição depois de ser atingido por um relâmpago, Michael Morbius foi julgado pelos seus crimes, tendo a sua defesa ficado a cargo da advogada Jennifer Walters (também conhecida como Mulher-Hulk).
 
        Aquando da aprovação da polémica lei que determinava o registo obrigatório de todos os meta-humanos, Morbius acedeu a fazê-lo, passando a colaborar com a agência governamental de contraespionagem SHIELD. Numa das primeiras missões para que foi designado, caçou Blade. O qual, em tempos, também lhe havia movido uma perseguição sem tréguas.
        Mais recentemente, Morbius tornou-se um operacional da A.R.M.O.R., uma organização responsável pela monitorização da atividade extra-dimensional ocorrida no nosso planeta. Nessa qualidade, desempenhou um papel preponderante durante uma crise em larga escala, provocada por um epidemia de zombies provenientes de outra dimensão.
        Na sequência desses eventos, Morbius abandonou a A.R.M.O.R. para ingressar nos Laboratórios Horizonte, onde, em colaboração com o Senhor Fantástico,  desenvolveu um antídoto para um vírus mortal, ao mesmo tempo que leva a cabo pesquisas no sentido de encontrar uma cura para a sua própria doença.
                                               
Noutros media: Morbius participou em vários episódios de Spider-Man: The Animated Series (1994-98), a partir da respetiva segunda temporada. Ainda que com algumas nuances em relação à história original, o vampiro evidencia também neste contexto a sua proverbial ambivalência moral: ora combatendo o Homem-Aranha e seus aliados, ora lutando ao lado deles.
 
Morbius em Spider-Man: The Animated Series.
 
          Nos extras do dvd Blade é apresentado um final alternativo para o filme, no qual Morbius é introduzido como o vilão de serviço na sequela. O que acabou por não se verificar, tendo sido, como é sabido, preterido em favor de Reaper. Morbius continua assim à espera de uma oportunidade para debutar no grande ecrã.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

BD CINE APRESENTA: HULK







      Dez anos atrás, pela mão do realizador Ang Lee, o Golias Esmeralda debutou no grande ecrã, num filme que esteve, todavia, longe de corresponder às expetativas dos fãs e que acabou esmagado pelo peso de críticas demolidoras.
 
 
Título original: Hulk
Ano: 2003
País: EUA
Duração: 138 minutos
Realização: Ang Lee
Argumento: James Shcamus, Michael France e John Truman
Elenco: Eric Bana (Bruce Banner), Jennifer Connelly (Betty Ross), Sam Elliott (general Thaddeus Ross), Josh Lucas (major Glenn Talbot) e Nick Nolte (David Banner)
Orçamento: 137 milhões de dólares
Receitas: 245,4 milhões de dólares
Sinopse: David Banner é um geneticista que descobriu como alterar o ADN humano, de modo a reforçar o sistema imunitário e a desenvolver um fator de cura acelerado. Depois lhe ser negada a autorização para proceder a experiências em militares, David testa em si próprio o soro. Quando o seu filho Bruce nasce, herda a mutação genética induzida pelo pai que, por sua vez, tenta por todos os meios encontrar uma cura.
               O governo norte-americano, ciente da perigosidade dos experimentos conduzidos por David Banner, ordena o encerramento do projeto. Num acesso de fúria, o cientista explode um reator de raios gama, arrasando as instalações. De volta a casa, com o propósito de evitar que o filho se transforme num monstro, tenta matá-lo, mas acaba por matar acidentalmente a esposa.
              Com apenas quatro anos de idade, Bruce é enviado para um orfanato, sendo posteriormente adotado, ao passo que o seu pai é internado num manicómio. Em consequência desses episódios, o pequeno Bruce suprime todas as memórias dos seus pais biológicos, acreditando que ambos pereceram naquele dia fatídico.
             Anos depois, Bruce Banner é um prestigiado físico nuclear que integra uma equipa de pesquisas da Universidade da Califórnia. O complexo industrial-militar, corporizado pelo major Glenn Talbot, está assaz interessado no trabalho desenvolvido por Bruce e sua equipa no campo da nanotecnologia. Disfarçado de faxineiro, o pai de Bruce infiltra-se nas instalações onde decorre a pesquisa, bem como na vida do filho.
            Para salvar a vida de um colega durante um acidente no laboratório, Bruce é atingido por radiação gama que opera nele uma monstruosa metamorfose, apenas testemunhada pelo seu pai. O qual não hesita em expor-se à mesma radiação que transformou o filho num monstro verde e irascível.
           Crismada de Hulk, a grotesca criatura salva Betty Ross, ex-namorada de Bruce e filha do general Thaddeus Ross, do ataque de um par de cães mutantes criados secretamente por David Banner. Apostado em patentear os poderes do Hulk, o major Talbot captura o Golias Esmeralda numa base militar desativada no deserto. Quando se liberta, o monstro ruma a São Francisco, deixando um enorme rasto de destruição atrás de si, a despeito dos esforços dos militares para travá-lo. Apenas a presença de Betty Ross consegue aplacar a fúria do Hulk, que acaba por reverter à sua forma humana.
Eric Bana e Jennifer Connelly interpretam Bruce Banner e Betty Ross em Hulk.

O Golias Esmeralda à solta nas ruas de São Francisco.

            Quando Bruce Banner é finalmente capturado pelos militares, o seu pai reaparece, sob a forma do Homem-Absorvente, para o confronto final. No término da violenta batalha que se segue, ambos são dados como mortos. No entanto, Bruce sobreviveu e, um ano depois, acha-se refugiado na floresta amazónica, onde trabalha como médico.
             
Curiosidades:
 
* Ang Lee recusou uma proposta para dirigir Exterminador Implacável 3 - A Ascensão das Máquinas para realizar a primeira longa-metragem do Golias Esmeralda;
* Nick Nolte foi a primeira escolha dos produtores para interpretar o papel de David Banner, pai do alter ego humano do monstruoso herói;
* Parte do trabalho preparatório levado a cabo por Sam Elliott para dar vida ao austero general Thaddeus Ross consistiu em ler algumas bandas desenhadas do Hulk. O ator aceitou prontamente o papel, entusiasmado com a perspetiva de ser dirigido por Ang Lee;
* De acordo com o realizador, o guião do filme foi influenciado por histórias clássicas como Frankenstein, King Kong, Dr. Jekill & Mr. Hyde, A Bela e o Monstro, assim como por algumas tragédias da mitologia grega;
* Na banda desenhada original, o pai de Bruce Banner chama-se Brian, tendo sido rebatizado de David no filme, em homenagem à mítica série do Hulk dos anos 1970, por ser esse o nome nela usado por Bruce;
* Muitos dos trabalhos de microbiologia vistos na película são reais e foram desenvolvidos pela esposa de Ang Lee;
* Lou Ferrigno, o ex-culturista que interpretava o Hulk na série televisiva de 1977, faz um cameo como segurança.

 
Minha avaliação: 51%

        Transcorrida uma década, a audaciosa abordagem de Ang Lee ao género super-heroico permanece controversa. Hulk é, com efeito, um daqueles filmes de que se convencionou dizer mal, pese embora o facto de, em abono da verdade, também não estarmos perante uma pérola da 7ª arte.
        À parte a dialética homem/monstro, o Golias Esmeralda, pela sua natureza tosca e violenta, pouco mais terá a oferecer a um público desconhecedor da banda desenhada original. Os fãs do herói, por outro lado, talvez não se revejam no psicodrama em que redunda a narrativa que peca, a meu ver, pela falta de um supervilão à altura. O que não impediu, porém, que o filme, a exemplo do protagonista, fosse demasiado grande. Sobrepovoada de flashbacks, a intriga torna-se por vezes pouco fluida, com alguns detalhes melodramáticos, resultando numa combinação soporífera.
        Pelo lado positivo, realço os espetaculares efeitos especiais e todas as cenas onde figura o Golias Verde digitalmente  concebido, assim como a sólida interpretação de Jennifer Connelly (uma Betty Ross bastante mais convincente do que Liv Tyler em O Incrível Hulk).
        Em suma, não sendo um dos piores filmes de super-heróis alguma vez produzidos, Hulk também não consegue encher as medidas a espectadores mais exigentes. Por mais que isso possa deixar o monstro verde irritado. E todos sabemos como isso não é uma coisa agradável de se ver...