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quarta-feira, 10 de abril de 2013

DO FUNDO DO BAÚ



 
 
 
     O que aconteceria se os super-heróis fossem reais e tivessem o poder de alterar o curso da história humana? Seriam eles considerados salvadores ou ameaças? Foi este o ponto de partida para Alan Moore escrever Watchmen, verdadeira obra-prima dos quadradinhos.
 
Título: Watchmen (minissérie de luxo em 6 edições mensais)
Data: Novembro de 1988 a abril de 1989
Número de páginas: 68 por volume
Formato: Americano (17 cm x 26 cm), colorido e com lombada agrafada
Licenciadora: DC
Editora: Entre 1988 e 1999, a Abril Jovem publicou duas séries de Watchmen e uma edição encadernada. Já neste século, surgiram mais quatro reedições da saga, uma lançada pela Via Lettera e as restantes com a chancela da Panini Comics.
Argumento: Alan Moore
Arte: Dave Gibbons
Publicado originalmente em: Watchmen nº1 a 12 (EUA, 1986/87)
História de publicação: Introduzindo abordagens e linguagens anteriormente ligadas apenas aos quadradinhos ditos "alternativos", além de lidar com temáticas de orientação mais madura e menos superficial quando comparada aos comics mainstream publicados à época nos EUA, Watchmen representa um marco importante na evolução da 9ª arte naquele país.
     Diz-se, aliás, que Watchmen foi, no contexto da indústria dos quadradinhos na década de 1980, um dos responsáveis por, a par de A Queda de Murdock e O Regresso do Cavaleiro das Trevas (ambas da autoria de Frank Miller) e de Maus (de Art Spiegelman), despertar o interesse do público adulto para um formato até então considerado infanto-juvenil. 
     Tudo começou em 1985, quando a DC se tornou detentora dos direitos da linha de personagens da Charlton Comics. Durante esse período, Alan Moore considerou escrever uma história que teria como protagonistas heróis obscuros que, a exemplo do que fez com Miracleman, ele pudesse remodelar a seu belo prazer.
     Julgando que o grupo Mighty Crusaders da MLJ Comics estaria disponível para o seu projeto, Moore desenvolveu um enredo de mistério envolvendo um assassinato, que começaria com a descoberta do corpo de um dos integrantes da equipa. Usando essa premissa, e perante a indisponibilidade das personagens da MLJ, Moore substituiu-as pelos super-heróis da Charlton, dando o título Who Killed The Peacemaker? (Quem Matou O Pacificador?) à narrativa e  apresentado-a ulteriormente a Dick Giordano, o então editor-chefe da DC. Este, embora recetivo à ideia, opôs-se à utilização de personagens da Charlton na história, ao perceber que as mesmas acabariam mortas ou inutilizadas. Por conseguinte, Giordano convenceu Moore a introduzir personagens inéditas. Moore mostrou-se relutante ao princípio, mas acabaria por aceder ao pedido.
      Dave Gibbons, desenhista que colaborara com Moore em projetos anteriores, manifestou o seu interesse em trabalhar novamente com o seu patrício (ambos são britânicos) e, após considerações de Giordano, foi aceite, trazendo consigo o colorista John Higgins.
     Originalmente, Moore e Gibbons tinham matéria-prima para apenas seis edições, pelo que  compensaram interpolando os assuntos principais com temas que proporcionariam uma espécie de retrato biográfico das personagens principais. Durante o processo, Gibbons teve grande autonomia para desenvolver o estilo visual de Watchmen, inserindo detalhes que Moore admitiu só perceber mais tarde, pois a saga foi feita para ser lida e compreendida totalmente somente após diversas leituras.
 
Alan Moore (esq.) e Dave Gibbons, a dupla criativa de Watchmen.
 
Sinopse: Na realidade histórica alternativa apresentada em Watchmen, Richard Nixon teria conduzido os EUA à vitória na Guerra do Vietname e, em resultado deste facto, teria permanecido no poder por um longo período. Esta vitória, além de muitas outras diferenças entre o mundo verdadeiro e o retratado na saga ( como, por exemplo, os carros elétricos serem a realidade da indústria dos automóveis e o petróleo já não ser a maior fonte de energia) derivaria da existência naquele cenário do Dr. Manhattan, um indivíduo dotado de poderes especiais, os quais o levam a possuir vasto controlo sobre a matéria e a energia, elevando-o ao estado de um semideus.
     Ambientada em 1985 e com o mundo à beira de holocausto termonuclear, a trama mostra que existiriam histórias aos quadradinhos de super-heróis no final dos anos de 1930, inclusive do Superman, os quais eventualmente seriam a principal inspiração para que uma das personagens da série viesse a  tornar-se um combatente do crime (o primeiro Coruja). As revistas deste género  teriam entretanto deixado de existir, sendo substituídas por novelas gráficas de piratas (talvez devido ao surgimento de super-heróis de carne e osso). O Dr. Manhattan, o único a possuir poderes (como explodir ou desmontar objetos, e até mesmo pessoas, pois controla os átomos), foi o primeiro da "nova era" de super-heróis mais sofisticados que durou do começo da década de 1960 até à promulgação da Lei Keene em 1977, implementada em resposta à greve da polícia e a consequente revolta da população contra os vigilantes que agiam acima da lei. À época, o grupo conhecido como Crimebusters  dispunha-se a combater a criminalidade na cidade de Nova Iorque.
     A Lei Keene exigia que todos os "aventureiros fantasiados" se registassem no governo. A maioria dos vigilantes resolveu aposentar-se, alguns revelando publicamente as suas identidades secretas para faturar com a atenção dos media  - caso de Adrian Veidt, o Ozymandias. Outros, como o Comediante e o Dr. Manhattan, continuaram a trabalhar sob a supervisão e o controlo do governo. O vigilante conhecido como Rorschach passou a operar como um herói renegado e fora-da-lei, sendo frequentemente perseguido pela polícia.
     A história abre com a investigação do assassinato de Edward Blake, logo revelado como sendo a identidade civil do vigilante mascarado conhecido como O Comediante. Tal assassinato chama a atenção de Rorschach, o qual passará toda a primeira metade da trama entrando em contacto com seus antigos companheiros em busca de pistas, considerando praticamente todos como possíveis suspeitos.
    Rorschach suspeita que o evento da morte de Blake estaria relacionado a um possível rancor de criminosos presos pelos heróis no passado, tese que ganha força à medida que outros ex-combatentes do crime e o próprio Rorschach são duramente atingidos por um aparentemente planificado ataque sistemático à sua integridade física e moral.
     No entanto, à medida que a investigação se aprofunda, os indícios apontam para uma maquiavélica conjura orquestrada por um insidioso némesis que não descansará enquanto não eliminar todos os heróis.

Watchmen (da esq. para a dir.): Espectral II, Comediante, Coruja II, Dr. Manhattan, Rorschach e Ozymandias.
 
Prémios e distinções: A série conquistou vários Prémios Kirby e Eisner (que estão para a BD como os Óscares estão para o cinema), além de uma honraria muito especial no Prémio Hugo, voltado para a literatura. É, de resto, até ao momento a única novela gráfica a merecer tal distinção, assim como também é a única história aos quadradinhos a figurar na lista dos cem melhores romances eleitos pela revista Time desde 1923.
 
 
Curiosidades:
* Os heróis que compõem os Watchmen tiveram como modelo várias personagens da editora Charlton Comics, cujos direitos de publicação haviam sido recentemente adquiridos pela DC. Assim, Coruja II, Espectral II, Dr. Manhattan, Rorschach, Comediante e Ozymandias correspondem, respetivamente, ao Besouro Azul, Sombra da Noite, Capitão Átomo, Questão, Pacificador e Thunderbolt.
* Antecessores dos Watchmen, os Minutemen são a única formação organizada de super-heróis referida na história. Trata-se de uma equipa de vigilantes mascarados fundada em 1938 (curiosamente, o ano da estreia do Super-homem) e que atuou durante a II Guerra Mundial. O termo Watchmen alude, portanto, genericamente a todos os vigilantes mascarados, não designando contudo o grupo de heróis remanescentes.
Na minha coleção desde: 1995 (edição encadernada da Abril)