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terça-feira, 16 de abril de 2013

ETERNOS: ALAN MOORE (1953 - ...)


 
 
  
    Genialidade e excentricidade são dois traços indeléveis no caráter de Alan Moore, por muitos considerado um dos melhores escritores de BD de sempre. A despeito da sua renitência, várias das suas obras foram já adaptadas ao cinema.
 
Biografia: Primogénito de um casal composto por um taberneiro e uma tipógrafa, Alan Moore nasceu a 18 de novembro de 1953 (59 anos) em Northampton, uma pequena cidade industrial a meio caminho entre Londres e Birmingham, no Reino Unido.  A sua infância foi passada numa zona da cidade conhecida como The Boroughs, na qual floresciam a miséria e a iliteracia. Moore, no entanto, revelou-se um leitor precoce (aprendeu a ler com apenas 5 anos, antes mesmo de ingressar na escola primária) e compulsivo que, à falta de verba para comprar livros, recorria amiúde à biblioteca pública local. Paralelamente, descobriu as histórias aos quadradinhos. Primeiro as publicações indígenas como Topper e The Beezer; mais tarde os comics norte-americanos com especial predileção por títulos como Flash, Detective Comics, Fantastic Four e Blawkhawk.
      Em casa coabitava com os pais, o irmão mais novo e a sua beata e supersticiosa avó materna, a qual despertaria nele o fascínio pelo misticismo e pelo esoterismo (aquando do seu 40º aniversário, em 1993, Moore assumiu-se como um mago cerimonial).
      Devido às suas boas notas, Moore seria admitido na Northampton Grammar School, um prestigiado colégio masculino. Foi lá que, pela primeira vez, contactou com alunos provenientes de estratos sociais mais elevados. De aluno brilhante na escola primária, Moore passou a estudante medíocre, incapaz de competir com os seus novos colegas.
      Irreverente, desde os primórdios da adolescência que Moore começou a usar cabelo comprido (que, a par da barba desgrenhada e dos anéis, ainda hoje conserva como imagem de marca). Desmotivado de estudar, em finais do anos 1960, começou a publicar poemas e ensaios da sua autoria em toda a sorte de fanzines, antes de lançar o seu próprio, batizado de Embryo. Através deste projeto, Moore envolver-se-ia num outro, denominado Laboratório de Artes.
      Em 1970, Moore seria expulso da Northampton Grammar School por se dedicar ao tráfico de LSD e de outras substâncias alucinogénicas no interior do colégio. Em consequência disso, não voltaria a ser admitido em qualquer outro estabelecimento de ensino.
     No ano seguinte, enquanto continuava a morar na casa dos pais, Moore passou por vários empregos pouco qualificados. Nessa mesma época conheceu a sua primeira esposa com quem casou em 1974, daí resultando o nascimento de duas filhas. Durante quase duas décadas, o casal partilhou uma amante, porquanto nem Moore nem a mulher acreditavam na monogamia. As duas mulheres acabariam, porém, por abandonar Moore em meados da década de 1990, levando com elas as duas filhas do casal. Moore, por sua vez, voltaria a casar em 2007, desta feita com Melinda Gebbie com quem trabalhou na produção de várias bandas desenhadas.
     Moore continua a viver em Northampton, cuja história serviu de inspiração à novela da sua autoria Voice of the fire. Aderiu também ao vegetarianismo.
 
Miracleman foi um dos primeiros êxitos de Alan Moore.
 
Carreira: 1978 foi o ano que assinalou o arranque oficial da longa e eclética carreira profissional de Alan Moore. Após abandonar o seu anterior emprego como administrativo, resolveu escrever e desenhar as suas próprias histórias aos quadradinhos. Recebeu o seu primeiro cachê graças a umas ilustrações publicadas numa revista especializada em música. Até 1980, por vezes sob pseudónimos, Moore publicou várias tiras e séries em revistas e jornais. Concentrou-se, entretanto, em aprimorar a sua escrita, em detrimento da sua arte. Contou para isso com a ajuda do seu velho amigo e também argumentista Steve Moore.
     Entre 1980 e 1984, Alan Moore trabalhou como argumentista freelancer em várias editoras britânicas, nomeadamente a Marvel UK e a 2000AD, mas também na Warrior, onde teve a cargo duas séries regulares: Marvelman (posteriormente rebatizado de Miracleman por razões legais) e V for Vendetta. Esta narrativa distópica, que tinha lugar num futuro próximo marcado pelo totalitarismo fascizante, seria uma das obras-primas de Moore, muito provavelmente por se ter identificado com o herói da série que, a exemplo do escritor, era um assumido anarca. A despeito das reservas de Moore - que sempre recusou ver o seu nome associado às adaptações cinematográficas das suas obras - V for Vendetta deu origem a um filme de sucesso em 2005.
     O trabalho de Moore na 2000AD atraiu a atenção de Len Wein, o editor-chefe da DC à época, que o contratou em 1983 para escrever Swamp Thing, um título cujas vendas andavam pelas ruas da amargura. Secundado por uma competente equipa de ilustradores, Moore reinventou o Monstro do Pântano, misturando nas suas histórias elementos sobrenaturais e de terror com outros de cariz social e ambiental. A série obteve um sucesso sem precedentes junto do público e da crítica, abrindo assim caminho para a contratação por parte da DC de outros escritores britânicos, designadamente Neil Gaiman, com vista ao relançamento de outras personagens obscuras.
 
Antes de Alan Moore, o Monstro do Pântano não passava de uma personagem obscura do universo DC.
 
      Durante a sua passagem de cinco anos pela DC, Moore teve igualmente oportunidade de trabalhar com as personagens de charneira da editora. Para Superman escreveu, em 1985, For The Man Who Has Everything, com arte de Dave Gibbons (seu futuro parceiro criativo em Watchmen). The Killing Joke foi o seu tributo ao Homem-Morcego (mas também ao seu arqui-inimigo Joker).
       Após o êxito de Watchmen (vide texto anterior), a relação de Moore com a DC começou progressivamente a deteriorar-se, devido a divergências relacionadas com merchandising e direitos autorais. Situação que culminou com a saída de Moore da DC em 1989 para, em sociedade com a sua primeira esposa e a amante de ambos, fundar a sua própria editora, a qual sugestivamente crismaram de Mad Love. Até 1996, ano em que a Mad Love encerrou portas, Moore e os seus associados produziram toda a sorte de séries, antologias e novelas gráficas, com especial destaque para a controversa Lost Girls, descrita pelo próprio autor como sendo uma obra de pornografia inteligente. Ainda nesse ano Moore publicaria o romance Voice of the fire.
      Seguiu-se uma passagem pela Image Comics, tendo sido o seu trabalho com Supreme (personagem criada por Rob Liefeld e com notórias semelhanças com o Homem de Aço) o mais notável. Em 1999, Moore, desavindo com Liefeld, abandonou a Image para fundar a American Best Comics (ABC), associada à Wildstorm Studios de Jim Lee. Foi sob a égide da ABC que Moore lançou The League of Extraordinary Gentleman (adaptada ao grande ecrã em 2003).
      Atualmente, Alan Moore tem vários projetos em carteira começando por um livro dedicado ao Ocultismo, escrito a meias com o seu velho compincha Steve Moore. Isto ao mesmo tempo que escreve o seu segundo romance, com o título provisório Jerusalem.
 
A par de Watchmen, V for Vendetta é uma das obras mais emblemáticas de Moore, tendo ambas sido adaptadas ao cinema.
 
Prémios e distinções: Autor multipremiado, ao longo da sua carreira foram inúmeros os galardões e distinções atribuídos a Alan Moore.  No seu currículo, e apenas para citar alguns, constam 7 Harvey Awards para Melhor Escritor; 9 Kirby Awards em categorias que vão desde Melhor Escritor a Melhor Série Regular; 9 Eisner Awards para Melhor Escritor. Acrescem ainda várias honrarias internacionais como 2 prémios Angoulême para Melhor Álbum e outros tantos British National Comics Award que o distinguiram em duas ocasiões (2001 e 2002) como o melhor escritor de BD de sempre.
 
Alan Moore na companhia da sua atual esposa, Melinda Gebbie.