clique aqui e encontre um template com a sua cara - template for blogger»

segunda-feira, 24 de junho de 2013

ETERNOS: CARMINE INFANTINO (1925-2013)




 
        Pela sua visão e talento, Carmine Infantino foi um dos artífices da Idade da Prata dos Quadradinhos. Ao homem, finado em abril último, sobreviverá o seu extraordinário legado.
 
Biografia: Nascido no apartamento da sua família em Brooklyn (Nova Iorque) a 24 de maio de 1925, Carmine Infantino teve como pais um ex-músico obrigado pela Grande Depressão a reciclar-se como canalizador, e uma doméstica de origem italiana.
        Antes de ingressar na prestigiada Escola Superior de Arte e Design de Manhattan, o jovem Carmine frequentou dois liceus públicos, o 75 e o 85, no seu bairro natal. No seu ano de caloiro travou conhecimento com Harry Chesler, proprietário de um dos vários estúdios que despontavam à época e que forneciam material às editoras no florescente mercado dos comics nos anos 1930 e 1940, em plena Idade do Ouro dos Quadradinhos.
        Foi justamente em meados da década de 1940 que Carmine encetou a sua carreira na 9º arte. Um dos seus primeiros trabalhos consistiu em colorir uma história intitulada Jack Frost e ilustrada pelo seu amigo Frank Giancoia. Nos anos seguintes  trabalhou em várias editoras, como a Hillman e a Holyoke, até ser contratado pela DC onde assumiu a arte de algumas das suas personagens emblemáticas.
       No princípio dos anos 50, colaborou como freelancer na Prize Comics, propriedade de Jack Kirby e Joe Simon (criadores do Capitão América). Em concomitância, além dos super-heróis, abraçou vários géneros na DC: western, suspense e ficção científica.
 
Carmine Infantino (data desconhecida).
      Se nos primórdios da sua carreira como desenhador eram notórias as influências de Jack Kirby e de Milton Caniff no seu traço, com o tempo este foi evoluindo e ganhando uma personalidade própria, caracterizada por um estilo límpido e linear que serviria de escola a futuros profissionais do ramo.
      Em 1956, o então editor-chefe da DC, Julius Schwartz, incumbiu Carmine Infantino de desenhar as novas histórias do Flash, a serem publicadas no título Showcase. Com o argumento a cargo de Robert Kanigher, caberia a Infantino reformular o visual do herói velocista.
      O resultado foi de tal forma satisfatório que logo Infantino foi designado por Schwartz para assumir a arte de outros títulos da editora como Adam Strange. Estava dado o tiro de partida para a Idade da Prata dos Quadradinhos.
 
A estreia do Flash da Idade da Prata  pelo traço de Carmine Infantino.
 
      O grande desafio surgiria, porém, oito anos volvidos quando, em parceria com o argumentista John Broome, foi encarregue de revitalizar as bafientas histórias de Batman. Depois de se desembaraçar de alguns dos elementos que tornavam as aventuras do Homem-Morcego ridículas, a nova dupla criativa imprimiu um tom mais realístico às mesmas, o qual esteve longe ser consensual entre os fãs do herói. No entanto, as vendas dos títulos do Batman subiram em flecha e, uma vez mais, Carmine Infantino provou a sua visão e talento.
     Entre as inúmeras solicitações que recebia neste período, contavam-se igualmente as ilustrações das histórias do Homem-Elástico, do Flash e de Adam Strange (bem como a arte das respetivas capas), às quais se somavam ainda um punhado de histórias de ficção científica. A sua ética profissional obrigava-o assim a desenhar duas páginas por dia. Proeza, de resto,  ainda hoje difícil de reproduzir, a despeito da utilização das novas tecnologias no trabalho dos artistas contemporâneos.
     Quando, em 1967, se tornou óbvio que as edições cujas capas eram desenhadas por Infantino se vendiam melhor, ele ficou responsável pela arte de capa das demais publicações da DC.
     Após a DC ter sido adquirida pela National, Infantino foi promovido a Diretor Editorial. Nessa qualidade, apostou em novos talentos e colocou artistas veteranos em cargos editoriais. Foi assim que nomes como Dick Giordano (recentemente contratado à Charlton Comics), Joe Orlando ou Joe Kubert se tornaram editores. Simultaneamente, novos títulos foram lançados, neles pontificando os trabalhos dos então novatos Neal Adams e Denny O'Neil.
     A partir de 1971, Carmine Infantino foi desafiado a inverter a progressiva queda na circulação dos títulos DC. Um desafio que se revelou ainda mais complicado, dada a pouca fé depositada na companhia, quer pelos seus novos proprietários - a Warner Communications - quer pela distribuidora IDN (os revendedores estavam pouco interessados em comercializar um produto com tão reduzida margem de lucro).
     Em resposta a estas reservas, Infantino levou a cabo profundas mudanças, incluindo o lançamento de novas séries (Bat Lash, The Secret Six) e de novas personagens (Deadman, The Creeper), em paralelo com a reciclagem de outras (Lanterna Verde, Arqueiro Verde, etc.). As vendas, porém, ficaram aquém das expectativas e Infantino optou - na opinião de alguns, cedo demais - por cancelar os novos títulos.
 
No vasto portefólio artístico de Carmine Infantino, a Liga da Justiça merece especial destaque.
 
     Ainda em 1971, Carmine Infantino tirou um ás da manga ao desviar o mestre Jack Kirby da arquirrival Marvel, aproveitando as disputas criativas que opunham este a Stan Lee no seio da Casa das Ideias.
    Kirby desenvolvera nos últimos anos uma panóplia de novas personagens que estava relutante em ceder à Marvel. Na DC, em conjunto com Infantino, ele deu a conhecer o Quarto Mundo, Os Novos Deuses e o Senhor Milagre.
    No início dos anos 1980, foi a vez de, temporariamente, Infantino trocar a DC pela Marvel. Período durante o qual  desenhou algumas histórias da Mulher-Aranha, assim como de outras personagens da Casa das Ideias. Retornaria, porém, antes do final da década à DC para reassumir a arte das histórias do Flash. Lá permaneceria até se retirar da vida ativa.
 
File:Spwm108.jpg
Capa de Spider-Woman nº8 (1978) com arte de Carmine Infantino.
   
    Depois de reformado, Carmine Infantino concedeu entrevistas esporádicas e brindou os fãs com a sua presença em convenções da especialidade. Pelo meio, em 2004, publicou uma autobiografia, The Amazing World of Carmine Infantino, no mesmo ano em que processou a DC pela violação dos direitos autorais sobre personagens que, alegadamente, criara durante o período em que lá trabalhara como freelancer.
    Faleceu em 4 de abril último, de causas naturais, na sua casa em Manhattan, não deixando herdeiros. Tinha 87 anos.
    Num comunicado emitido pela DC, o atual editor-chefe Dan DiDio escreveu: " Haverá poucas pessoas neste mundo que tenham causado tanto impacto na indústria dos comics como Carmine Infantino. Ele estabeleceu pontes entre a Idade do Ouro e a Idade da Prata dos Quadradinhos, daí resultando um dos períodos mais bem-sucedidos da nossa história. Definiu um rumo para várias personagens, que ainda hoje é notório. Sentiremos a sua falta mas o seu legado perdurará para sempre".
 
 
Publicada com a chancela da Vanguard Press, a autobiografia de Carmine Infantino exibia na capa uma coletânea de capas da sua autoria.