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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

BD CINE APRESENTA: LANTERNA VERDE





     Na banda desenhada, o Lanterna Verde é um dos mais icónicos heróis do Universo DC. No entanto, a sua primeira aventura no grande ecrã, não obstante o orçamento milionário, redundou num fiasco. Saibam tudo sobre um dos mais mal-amados filmes de super-heróis de sempre.
 
 
Título original: Green Lantern
Ano: 2011
País: Estados Unidos da América
Duração: 114 minutos
Estúdio: DC Comics
Distribuidora: Warner Bros.
Realização: Martin Campbell
Argumento: Greg Berlanti e Michael Green
Elenco: Ryan Reynolds (Hal Jordan/Lanterna Verde); Blake Lively (Carol Ferris); Peter Sarsgaard (Dr. Hector Hammond); Mark Strong (Thaal Sinestro); Angela Bassett (Dra. Amanda Waller); Tim Robbins (senador Robert Hammond); Temuera Morrinson (Abin Sur); Geoffrey Rush (voz de Tomar-Re) e Michael Clarke Duncan (voz de Kilowog)
Género: Ficção científica/ação e aventura
Orçamento: 200 milhões de dólares
Receitas: 220 milhões de dólares

Lanterna Verde: no dia mais claro, na noite mais densa, o Mal sucumbirá na sua presença.
 
Enredo: Milhões de anos antes da formação da Terra, um grupo de seres conhecidos como Os Guardiões do Universo, usaram a essência verde da força de vontade para criar uma força policial intergaláctica a que deram o nome de Tropa dos Lanternas Verdes. Eles também mapearam o Cosmos, dividindo-o em 3600 setores, sendo a cada um deles atribuído um protetor oriundo dessa tropa.
      Abin Sur, o mais poderoso dos Lanternas Verdes, foi o único capaz de derrotar a essência do medo, corporizada na entidade cósmica Parallax, tendo-a aprisionado no Setor Perdido.
      Parallax, contudo, consegue escapar da sua prisão e ruma ao setor 2814 - a que pertence a Terra e sob a alçada de Abin Sur - matando de caminho quatro Lanternas e destruindo dois planetas. Quando Abin Sur procura deter a entidade é gravemente ferido, não lhe restando outro remédio senão refugiar-se no nosso mundo.
      Moribundo, Abin Sur ordena ao seu anel energético que busque um sucessor digno para assumir as suas funções de protetor daquele setor espacial.
      Hal Jordan, um destemido piloto de testes ao serviço da Ferris Aeronáutica, é o eleito, sendo prontamente transportado pelo anel para o local onde Abin Sur agoniza. Após uma breve explicação, este nomeia-o como seu sucessor, obrigando o atónito e relutante terráqueo a prestar o juramento solene dos Lanternas Verdes.
      Mais tarde, já em casa, Hal repete o juramento, entrando em transe ao mesmo tempo que é envolto pelo brilho da bateria portátil em forma de lanterna que serve para recarregar o anel energético.
      Aturdido pela estonteante sucessão de eventos, Hal resolve sair para tomar uma bebida, mas acaba sendo atacado à saída de um bar. Antes que consiga recompor-se, é teletransportado para Oa, o planeta natal dos Guardiões do Universo e quartel-general da Tropa dos Lanternas Verdes. Lá, trava conhecimento com o petulante Sinestro, o líder da tropa, que não esconde o seu desagrado com a escolha de um terráqueo (espécie primitiva comparada com outras) para Lanterna Verde.
     Depois de treinado por Tomar-Re, Hal Jordan, perante a desconfiança dos outros membros da tropa, regressa à Terra, conservando contudo o anel e respetiva bateria.

Escolhido por Abin Sur para ser o seu sucessor, Hal Jordan torna-se o Lantena Verde.
 
      Enquanto isso, depois de ter sido convocado pelo seu pai, o senador Robert Hammond, para uma instalação governamental secreta, o cientista Hector Hammond realiza a autópsia de Abin Sur, cujo cadáver fora resgatado pelos militares. Sem que ninguém saiba, uma parcela da essência de Parallax havia-se alojado no corpo sem vida de Abin Sur. Num ápice, Hector torna-se o novo hospedeiro da entidade que, reconfigurando o seu ADN humano, lhe confere poderes telepáticos e telecinéticos.
      Ensandecido, o cientista usa os seus recém-adquiridos poderes para tentar matar o próprio pai. Contudo, este é salvo por Hal Jordan, cuja verdadeira identidade é dissimulada pelo uniforme de Lanterna Verde e pela máscara que usa.
     Pouco tempo depois, porém, Hector acaba por conseguir matar o seu pai, antes que o Lanterna Verde o consiga impedir novamente. É nesse ponto que o Gladiador Esmeralda descobre que Parallax está a caminho da Terra.
     Em Oa, os Guardiões revelam a Sinestro que, outrora, Parallax foi um deles até que, movido pela obsessão de controlar a essência amarela do medo, se tornou, ele próprio, a personificação do medo.   
    Acreditando que o único antídoto para o medo é o próprio medo, Sinestro convence os Guardiões a forjarem um anel do mesmo poder amarelo (cor que neutraliza a energia verde dos Lanternas). Disposto a imolar a Terra para salvar Oa, Sinestro vê os seus planos frustrados pela repentina aparição de Hal Jordan, que pede ajuda à tropa para proteger o nosso planeta da ameaça de Parallax. Eles recusam o seu pedido mas autorizam-no a voltar para que proteja o seu mundo natal.

Sinestro: herói ou vilão?

     De volta à Terra, Hal salva Carol Ferris, que fora sequestrada por Hector Hammond. Usando a parcela da sua essência presente no corpo de Hammond como um farol, Parallax chega ao nosso planeta, causando enorme destruição em Coast City.
    Após drenar toda a energia vital de Hammond, Parallax falha em matar Jordan e acaba atraído por este em direção ao Sol. A gravidade do astro arrasta a entidade para o seu núcleo, desintegrando-a.
    Jordan fica inanimado e à deriva no espaço sideral, mas acaba resgatado por Sinestro e um punhado de Lanternas.  Quando recobra os sentidos, Hal é felicitado pela sua bravura e Sinestro notifica-o de que, doravante, terá a árdua missão de proteger o setor 2814 como um Lanterna Verde de pleno direito.
     O filme termina com Sinestro, ainda na posse do anel de energia amarela, a colocá-lo no dedo ao mesmo tempo que o seu traje passa de verde para amarelo. Estava assim dado o mote para uma sequela que acabaria, em virtude das fracas receitas de bilheteira e do repositório de críticas desfavoráveis, por nunca ser produzida.
 
O cientista Hector Hammond alberga a essência de Parallax.
 
Prémios e nomeações: Malgrado a azeda  receção  de grande parte do público e da crítica, Lanterna Verde arrecadou um Scream Award na categoria de Filme Mais Esperado. Ryan Reynolds, por sua vez, foi  nomeado nas categorias de Super-herói Favorito, Ator Favorito de Filmes de Ação e Ator Favorito nos 38th People's Choice Awards, tendo conquistado o título na primeira.
Curiosidades:
* Greg Berlanti foi inicialmente contratado para dirigir e escrever o argumento de Lanterna Verde, mas acabaria por abandonar o projeto, sucedendo-lhe Martin Campbell. Contudo, Berlanti manteve a sua ligação ao filme na sua qualidade de produtor e coargumentista;
* Porventura antecipando as fracas receitas de bilheteira, depois de ter sido filmado em 2D, o filme foi reconvertido em 3D, chegando apenas nesse formato às salas de cinema portuguesas;
* Antes da escolha de Ryan Reynolds para o papel principal, Bradley Cooper, Jared Leto e Justin Timberlake foram alguns dos nomes equacionados;
* No caso de Carol Ferris, o interesse romântico do herói, Eva Green, Jennifer Garner e Diane Kruger foram cogitadas para o papel, tendo a escolha recaído, todavia, em Blake Lively;


Ryan Reynolds e Blake Lively como Hal Jordan e Carol Ferris em Lanterna Verde.
 
* Em 1997, a Warner Bros. sondou o realizador e argumentista Kevin Smith, mas este declinou o convite para dirigir um filme do Lanterna Verde, por considerar haver cineastas mais competentes para assumir o projeto. Um dos nomes equacionados foi o de Quentin Tarantino;
* O uniforme usado pelo herói no filme foi digitalmente criado por computador. Tratou-se de uma abordagem inovadora dos produtores que, no lugar de um traje convencional, preferiram que Hal Jordan usasse um construto gerado pelo seu anel energético. Posteriormente este elemento foi adicionado às histórias do Gladiador Esmeralda nos quadradinhos;
* Na BD original, Carol Ferris transforma-se em Safira Estrela, originalmente uma vilã com poderes similares aos do Lanterna Verde, entretanto reconvertida em soldado do exército de Safiras Estrelas. Trata-se de uma tropa feminina que opera em paralelo com a Tropa dos Lanternas Verdes na proteção do Universo, portando as suas integrantes um anel com a energia violeta do amor. No filme, o codinome de voo de Carol Ferris é Safira, e o símbolo das Safiras Estrelas adorna o capacete que ela usa quando pilota o seu jato.
 
 
 
Veredito: 37%
     Foram vários os fatores que concorreram para os maus resultados obtidos por Lanterna Verde junto do público e da crítica. Desde logo o facto de a sua data de estreia o ter entalado entre dois outros filmes do género, ambos com a chancela da Marvel: Thor e X-Men: First Class. Na comparação direta, ele perde para ambos. Não fosse por essa concorrência de peso - que porventura terá contribuído em certa medida para alguma saturação por parte dos espectadores não fãs de super-heróis - e, provavelmente, a receção a esta primeira aventura cinematográfica do Gladiador Esmeralda teria sido diferente.
     Não obstante, são notórias as muitas lacunas do filme. A saber: com um enredo insípido e inconsistente, não raras vezes as personagens são ofuscadas pela espetacularidade dos efeitos especiais. O próprio Hal Jordan, personagem psicologicamente densa na BD, surge retratado de forma unidimensional, totalmente destituído de profundidade emocional.
      É, de resto, nesta vertente que radica a principal fraqueza de Lanterna Verde. Contrastando com a crescente humanização dos super-heróis quando transpostos ao grande ecrã, assiste-se aqui, mercê do registo pueril que pauta a narrativa, a um retrocesso na idoneidade de um género que finalmente granjeou respeitabilidade em Hollywood. Descurando a humanidade do protagonista, o filme resume-se praticamente a um repositório de efeitos visuais e de cenas de ação mirabolantes, passíveis de deixar o espectador estonteado. Nada, porém, que colmate o vazio de uma história onde o vilão consegue ser mais interessante do que herói (Sinestro é, com efeito, a única personagem cuja densidade não é igual à de uma folha de papel).
       Por norma, as películas com super-heróis são redutos de personagens sofridas (órfãos, proscritos, rebeldes, etc.). É esse o caminho - ao invés de exibições feéricas de superpoderes - para gerar empatia com o público. Em Lanterna Verde vemos, por assim dizer, os ricos ficarem mais ricos.  A módica dose de diversão proporcionada por este filme poderá satisfazer alguns espectadores menos exigentes, mas seguramente deixará desapontados os conhecedores da mitologia do Gladiador Esmeralda.
 
Hal Jordan e alguns dos mais destacados membros da Tropa dos Lanternas Verdes.