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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

ETERNOS: ALEX ROSS (1970 - ...)



       Com um talento precoce, ganhou notoriedade a desenhar sagas emblemáticas da Marvel e da DC. O realismo fotográfico do seu traço tornou-o num dos mais requisitados ilustradores, dentro e fora dos quadradinhos.

Biografia e carreira: A 22 de janeiro de 1970, em Portland (no estado norte-americano do Oregon), filho de um pastor evangélico e de uma artista comercial, nasceu Nelson Alexander Ross. Segundo a mãe, com quem terá aprendido muitos dos traços distintivos do seu estilo artístico, Alex começou a desenhar com a precoce idade de três anos, depois de ter assistido a um episódio de uma série animada do Homem-Aranha na TV.
       Já depois de a família Ross se ter mudado para o Texas, e à medida que crescia, Alex foi aprimorando obstinadamente o seu talento. Como principais referências tinha George Pérez (cujo traço procurava imitar quando desenhava super-heróis) e Berni Wrightson (quando produzia trabalhos "sérios"). Foi contudo por volta dos 16 anos de idade que Alex descobriu o estilo hiper-realista de ilustradores como Andrew Loomis e Norman Rockwell. Visionário, acreditava que, um dia, aquele estilo poderia ser replicado na banda desenhada.
       Aos 17 anos, Alex principiou os seus estudos de pintura na American Academy of Art de Chicago, a mesma onde a sua mãe se formara. Durante a sua passagem pela academia, Alex descobriu a arte de, entre outros, Salvador Dalí, cujo hiper-realismo lhe parecia extraído das histórias aos quadradinhos. Foi também durante esse período que Alex deliberou que, no futuro, pintaria os seus próprios desenhos. Diplomou-se ao fim de três anos e, pouco tempo depois, foi contratado por uma agência de publicidade onde trabalhou como ilustrador.
       Entretanto, Kurt Busiek (editor da Marvel Comics à época) travou conhecimento com a arte de Alex Ross e sugeriu-lhe uma parceria criativa. Alex assentiu e, em 1993, o projeto consubstanciou-se sob a forma de uma novela gráfica intitulada Marvels, na qual era retratado o universo da Casa das Ideias do ponto de vista de um cidadão comum. A história foi um sucesso, muito por conta do realismo fotográfico do traço de Alex Ross. O que lhe valeu a primeira exposição mediática, dentro e fora da indústria dos comics. Os fãs, por sua vez, apreciaram o notório afeto e reverência de Alex para com as personagens que desenhou, bem patente de resto na atenção ao detalhe em cada vinheta.


Marvels guindou Alex Ross para a ribalta. 
 
       Cavalgando a onda de entusiasmo, Kurt Busiek e Alex Ross juntaram-se a Brent Anderson para criar Astro City. Publicada a partir de 1995, sob a égide da Image Comics e depois pela Wildstorm Comics, a série apresentava um universo povoado por super-heróis inéditos e dava sequência à abordagem feita em Marvels. Também em Astro City se explorava a reação dos cidadãos comuns ao surgimento de maravilhas superpoderosas. A Ross coube colorir as capas dos volumes que foram sendo intermitentemente publicados ao longo dos anos. Coube-lhe ainda colaborar na definição dos figurinos e cenários da série.
 

Em Astro City a arte de Alex Ross voltou a encantar os fãs.

        Em 1996, Alex Ross trabalhou com o escritor Mark Waid na produção de Kingdom Come (ver texto anterior), uma saga que apresentava um futuro distópico para o Universo DC e que tinha como narrador e personagem-chave o reverendo Norman McCay (inspirado no próprio pai de Ross). Além de reinventar o visual de várias personagens de charneira da Editora das Lendas, Alex introduziu também um naipe de novas personagens. Dividiu igualmente os créditos da criação de Magog (um dos anti-heróis da história), cujo visual teve como inspiração duas personagens idealizadas por Rob Liefeld: Cable e Shatterstar.

 
       Consagrado, artística e financeiramente no universo dos super-heróis, Alex Ross virou-se para o mundo real com Uncle Sam, uma história de 96 páginas que escalpelizava o lado negro da história dos EUA. 
       A partir de 1998, Alex Ross colaborou com o escritor Paul Dini na produção de edições anuais em formato tabloide que assinalavam o 60º aniversário do Super-Homem, Batman, Capitão Marvel e Mulher-Maravilha, aos quais se somaram dois volumes especiais dedicados à Liga da Justiça.

Capas dos álbuns que assinalavam o 60º aníversário do Super-Homem e da Mulher-Maravilha.
 
       Quando, em 2001, o filme Unbreakable (traduzido em terras lusitanas como O Protegido), do realizador M. Night Shyamalan e com Bruce Willis como protagonista, foi lançado em vídeo, o DVD incluía uma secção extra com arte original de Alex Ross, além de um comentário seu a propósito das afinidades entre a personagem principal da história e o paradigma super-heroico. Nesse mesmo ano, Ross foi aclamado pelo público devido ao seu trabalho numa série especial de bandas desenhadas cujas receitas reverteram a favor das famílias das vítimas dos atentados terroristas do 11 de setembro. Esse trabalho incluía retratos de polícias, bombeiros e paramédicos, apresentados como heróis de carne e osso, dispostos a sacrificar as próprias vidas em prol da comunidade.
       Ainda pelos terrenos da 7º arte, em 2002, Alex Ross concebeu o cartaz promocional da cerimónia de entrega dos Óscares desse ano. Para ajudá-lo na realização desse trabalho, a Academia cedeu-lhe uma das cobiçadas estatuetas douradas durante uma semana.


O poster dos Óscares de 2002, concebido por Alex Ross.

       No ano seguinte, finalizou a controversa trilogia, iniciada em 1999 com Earth X e a que se seguiram  Universe X e Paradise X, para a Marvel Comics.
        Em 2007, Alex Ross voltou a emprestar a sua soberba arte à capa do DVD de um filme. Desta feita, o feliz contemplado foi Flash Gordon (1980), película da qual Alex se assume como fã incondicional.
       Em meados de 2011, Alex Ross voltou a juntar-se a Kurt Busiek para, agora ao serviço da Dynamite Entertainment, produzir a minissérie em oito volumes Kirby: Genesis. Esta revisitava personagens criadas pelo lendário Jack Kirby, cujos direitos haviam sido adquiridos pela Dynamite. Tratou-se, por outro lado, do reencontro, 17 anos depois, da dupla-maravilha que presenteou os fãs com Marvels. Neste novo projeto, Alex acumulou as funções de desenhador e coargumentista.
       Desde então, sempre com outros projetos artísticos de permeio, Alex Ross tem desenhado as capas de vários títulos publicados pela Dynamite, entre os quais Green Hornet, The Spider, The Bionic Man e Silver Star.
 
Arte conceptual de Alex Ross usada na edição em DVD do filme de Flash Gordon.
 
Prémios e distinções: Kingdom Come valeu cinco Eisner Awards e um Harvey Award à dupla Mark Waid/Alex Ross em 1997. A título individual, Ross foi galardoado em 1998 com um prémio atribuído pela National Cartoonists Society pelo seu trabalho no álbum Superman: Peace on Earth.
      Durante sete anos consecutivos, Alex Ross arrebatou o prémio para Melhor Ilustrador do Comics Buyer Guide (CBG), daí resultando a eliminação dessa categoria por parte dos organizadores. A este propósito, a editora sénior do CBG, Maggie Thompson, declarou em 2010: "Ross é o melhor desenhador da atualidade. Ponto final. Isto apesar de haver por aí muitos outros artistas talentosos a darem um importante contributo para a vitalidade da indústria dos comics."
 
Consagrado pelo público e pela crítica, adivinha-se um futuro próspero para Alex Ross.