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segunda-feira, 24 de março de 2014

ETERNOS: JOHN BUSCEMA (1927-2002)




      De ascendência italiana, em pequeno gostava de ler as banda desenhadas de Popeye e Flash Gordon. Em adulto, tornou-se num dos mais talentosos e prolixos artistas da sua geração. Com o seu traço, os Vingadores conheceram uma das suas melhores fases de sempre. Assim como Conan, O Bárbaro, de quem desenhou mais de 200 histórias.

Biografia: Nascido em Brooklyn (Nova Iorque), a 11 de dezembro de 1927, no seio de uma família italo-americana, John Buscema - cujo nome de batismo foi Giovanni Natale Buscema - desde muito cedo demonstrou interesse pelo desenho.
       Na infância entretinha-se a copiar as tiras de algumas das suas bandas desenhadas favoritas, em especial Popeye. Já adolescente, desenvolveu interesse tanto pelas histórias aos quadradinhos com super-heróis como pelas aventuras de personagens clássicas da 9ª arte, como Flash Gordon, Tarzan ou o Príncipe Valente. Revelou ainda interesse pelo trabalho de alguns reputados ilustradores de publicidade da altura, nomeadamente Norman Rockwell, Dean Cornell, Albert Dorne, entre outros.
       Depois de concluir o ensino secundário no Manhattan's High School of Music and Art, ingressou em regime noturno no Pratt Institute, frequentando durante o dia aulas de desenho no Museu de Brooklyn.
       Outra das suas paixões era o pugilismo (que lhe valeu a alcunha de Big John). Enquanto treinava esse desporto, começou a desenhar retratos de pugilistas e vendeu alguns trabalhos seus para o Hobo News, um jornal dedicado aos trabalhadores migrantes que viviam nas ruas da cidade que nunca dorme.
       Quando procurava emprego como ilustrador comercial, John Buscema deu por si a entrar - corria o ano de 1948 - na fervilhante indústria dos comics. O seu primeiro trabalho no ramo foi ao serviço da Timely Comics (antepassada da Marvel),  sob a supervisão do seu lendário editor-chefe Stan Lee.
       Datam de agosto desse ano os seus primeiros créditos como ilustrador, quando desenhou uma história em quatro páginas para o terceiro número da série policial da Timely Lawbrakers Always Lose. Deu também o seu contributo a outros títulos da editora que apresentavam histórias decalcadas do quotidiano, como True Adventures e Man Comics (cuja edição inaugural teve a sua capa desenhada por Buscema).
 
Man Comics nº1 (1949) foi uma das primeiras capas ilustradas por John Buscema.

        Enquanto se acentuava o declínio da indústria dos quadradinhos após a II Guerra Mundial, Buscema, ainda ao serviço da Timely, desenhou e coloriu uma panóplia de histórias policiais, românticas e do Velho Oeste.
        Em 1953 - ano em que se casou com Dolores Buscema, com quem viveria o resto dos seus dias - Big John trabalhava como freelancer para a Atlas Comics (ex-Timely Comics), assim como para vários outras licenciadoras, entre as quais a Ace Comics e a Hillman Periodics.
       A década de 1950 foi, no campo profissional, muito profícua para Buscema. Um dos pontos altos ocorreu em 1957 quando foi convidado a ilustrar as minibiografias de todos os presidentes dos EUA que haviam ocupado a Casa Branca até essa data.
       Contudo, face às pouco auspiciosas perspetivas de futuro do negócio dos comics, Buscema arriscou uma carreira no ramo publicitário, colaborando como freelancer com a agência nova-iorquina Chaite. Durante os oito anos que se seguiram, desdobrou-se entre ela e o estúdio Triad. Período em que produziu um vasto e diversificado portfólio. De acordo com o próprio, essas experiências permitiram-lhe, entre outras coisas, aperfeiçoar as suas técnicas.
       O seu regresso aos quadradinhos deu-se em 1966. Em novembro desse ano, arte-finalizou os esboços de Jack Kirby numa história de Nick Fury publicada em Strange Tales nº150. Estava assim de volta a uma casa que tão bem conhecia, embora entretanto renomeada de Marvel Comics.
       Após ter desenhado três histórias do Hulk em Tales to Astonish, Buscema transitou em 1967 para a série The Avengers, onde fez dupla com o argumentista Roy Thomas. Os dois foram responsáveis pela introdução das novas versões do Cavaleiro Negro e do Visão.
 
Os Vingadores e o Homem-Aranha pelo traço de John Buscema.
       Com vista a adaptar o seu estilo aos cânones artísticos consignados pela Casa das Ideias, Buscema sintetizou nele as principais características que identificavam o traço de Jack Kirby: sequências de ação altamente dinâmicas, perspetivas arrojadas e cenários imponentes. Processo que conferiu uma enorme vivacidade à sua arte e que deixou os leitores em delírio.
       Desenhando uma média de duas edições por mês, Buscema emprestou o seu traço a várias outras personagens icónicas da Marvel, como o Homem-Aranha e o Surfista Prateado. Foi de resto o seu trabalho em Silver Surfer nº4 (fevereiro de 1969) que lhe valeu os mais rasgados elogios por parte dos fãs. O duelo entre o herói cósmico e o Deus do Trovão é considerado por muitos a sua obra-prima.
 
Silver Surfer nº4 (1969) é por muitos considerado o melhor trabalho de John Buscema.
 
       Em finais de 1969, John Buscema fez curta uma pausa no seu trabalho com super-heróis para reassumir a arte de histórias de cariz sobrenatural nas séries Chamber of Darkness e Tower of Shadows (ambas com a chancela da Marvel).
      No entanto, logo em abril do ano seguinte, regressou ao título dos Vingadores, onde reencontrou Roy Thomas. Dessa nova parceria criativa resultou uma das melhores fases de sempre da equipa que reúne os maiores heróis da Terra.
      Com a saída de Jack Kirby da Marvel nesse mesmo ano, coube a John Buscema a enorme responsabilidade de substituir o Rei em dois dos mais emblemáticos títulos da editora: Fantastic Four e Thor. Buscema não se sentiu intimidado e o seu trabalho superou, uma vez mais, todas as expectativas.
      Sucedendo a Barry Smith a partir do vigésimo quinto número de Conan, The Barbarian, Buscema iniciou dessa forma uma longeva ligação ao guerreiro cimério. A fim de maximizar o êxito comercial da personagem idealizada por Robert E. Howard, a Marvel lançou, em agosto de 1974, um segundo título seu, intitulado The Savage Sword of Conan, cuja arte a preto e branco foi assumida também por Buscema. Nos anos seguintes, o frenético lápis de Big Jonh desenharia mais de duas centenas de histórias do herói bárbaro.
 
A cores ou a preto e branco, Conan ficará para sempre associado a Jonh Buscema - e vice-versa.
 
        Em meados dos anos 1970, Buscema lançou a sua própria escola de artes, amplamente divulgada nas páginas de vários títulos  Marvel. Passou assim a acumular as funções de desenhador com as de professor. Apesar de ter considerado gratificante a sua experiência letiva, Big John, que tinha de realizar uma viagem de 70 quilómetros após um dia de trabalho, acabou, porém, por desistir de dar aulas.
        Dessa breve aventura pedagógica resultaria, porém, o livro How to Draw Comics the Marvel Way, produzido a meias com Stan Lee. Tratava-se de um manual prático para aspirantes a ilustradores, cujos ensinamentos tinham por base as aulas lecionadas por Buscema anos antes.
 
Em How to Draw Comics the Marvel Way, John Buscema dava dicas sobre como desenhar super-heróis.
 
        Depois de desenhar o primeiro número de She-Hulk (de quem foi cocriador), em fevereiro de 1980, John Buscema abandonou temporariamente as séries regulares de super-heróis para se dedicar por inteiro aos três títulos de Conan, cuja popularidade abriu caminho à realização de um filme do herói. Quando este chegou às salas de cinema em 1982, Buscema assumiu a arte da respetiva adaptação aos quadradinhos.
        Ao fim de quase cinco anos arredado do género super-heroico, em 1985 Buscema regressou a um terreno que lhe era muitíssimo familiar, reassumindo The Avengers. Três anos depois reeditou a sua parceria com Stan Lee para produzir a aclamada graphic novel Silver Surfer: The Judgment Day.
        O novo século trouxe novidades à sexagenária carreira de John Buscema. Pela primeira vez, ele trabalhou para a DC. Logo em 2000 assumiu a arte de Batman Black and White e, no ano seguinte, desenhou a edição especial Just Imagine Stan Lee Creating Superman, na qual ele e o Papa da Marvel reinventavam a origem e o conceito do Homem de Aço, no âmbito de um polémico projeto editorial da Distinta Concorrência.
 
No princípio deste século, Stan Lee e John Buscema revisitaram a origem do Super-Homem e de outras personagens icónicas da DC.
 
        Em meados de 2002, John Buscema viu ser-lhe diagnosticado um cancro do estômago em fase terminal, tendo falecido poucos meses depois, com 74 anos. Uma litografia gigante retratando os Vingadores dos anos 1960/70 foi o seu último trabalho enquanto profissional. A seu pedido, foi sepultado com uma caneta na mão.
        Sal Buscema, seu irmão mais novo e também ele um talentoso desenhador, declarou: "John era obcecado por desenhar. Não importava onde estivesse ou que se passava à sua volta; ele acabaria por aborrecer-se e começar a rabiscar alguma coisa. Agora que terá muito tempo livre no Céu, tenho a certeza de que a caneta lhe será útil".
        Além do irmão e da viúva, John Buscema deixou um filho, uma filha e uma neta - Stephanie Buscema -que parece apostada em seguir as pisadas do avô, trabalhando atualmente como ilustradora freelancer.
        A este legado biológico, soma-se o vastíssimo espólio artístico de uma figura incontornável na história da 9ª arte e que ainda hoje serve de referência a muitos a ela ligados.
 
John Buscema: um mito que perdurará pela eternidade.
 
Prémios e distinções: Entre os múltiplos prémios com que foi agraciado ao longo da sua carreira, destacam-se o Alley Award Para Melhor História Completa em 1968 (Origin of the Silver Surfer) e o Shazam Award de 1974 para Melhor Artista.
        Em jeito de homenagem póstuma, a partir de 2002, foi instituído o Prémio Especial John Buscema nos Haxtur Awards (que distinguem o que de melhor se publica em quadradinhos em Espanha). Nesse mesmo ano, foi nomeado para o Eisner Award Hall of Fame (espécie de Óscar honorário que distingue, em vida ou postumamente, carreiras artísticas de excelência).