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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

EM CARTAZ: «O JUSTICEIRO»




  Exército de um homem só, o primeiro Justiceiro do século 21 sobreviveu ao confronto com um sanguinário senhor do crime, mas não à metralha de críticas negativas. De pouco lhe valendo o colete à prova de bala ou o facto de esta sua nova aventura cinematográfica ter sido baseada num par de obras antológicas que o consagraram nos quadradinhos.

Título original: The Punisher (subtitulado O Vingador, em Portugal)
Ano: 2004
País: EUA
Género: Ação/Aventura/Fantasia
Duração: 123 minutos (menos 17 do que na versão estendida lançada em formato DVD)
Produção: Marvel Enterprises, Valhalla Motion Pictures e Artisan Entertainment
Realização: Jonathan Hensleigh
Distribuição: Lions Gate Entertainment (EUA) e Columbia Pictures (resto do mundo)
Argumento: Jonathan Hensleigh e Michael France
Elenco: Thomas Jane (Frank Castle/Justiceiro); John Travolta (Howard Saint); Will Patton (Quentin Glass); Roy Scheider (Frank Castle, Sr.); Laura Harring (Livia Saint); Ben Foster (Spacker Dave), Rebecca Romijn (Joan) e Kevin Nash (O Russo)
Orçamento: 33 milhões de dólares
Receitas: 54,7 milhões de dólares

Crime e castigo: as duas faces da justiça.

Desenvolvimento: A ideia de levar novamente o Justiceiro ao grande ecrã começou a ganhar forma no princípio de 1997. Três anos depois, a Marvel celebrou um contrato de longa duração com a Artisan Entertainment (que já produzira em 1989 o primeiro The Punisher) com vista à adaptação de quinze das suas personagens ao cinema e à televisão. Lista que incluía aquele que era há muito um dos mais carismáticos anti-heróis dos quadradinhos. Estatuto que, à partida, fazia do Justiceiro um ativo em que valia a pena tornar a apostar.
Assim, em abril de 2002, foi oficializada a contratação de Jonathan Hensleigh para escrever e dirigir a nova aventura cinematográfica de Frank Castle. Argumentista traquejado, Hensleigh não possuía, contudo, qualquer experiência de realização. Mas nem por isso pensou duas vezes em aceitar o desafio.
Como principais referências para o seu enredo, Hensleigh selecionou duas histórias antológicas do Justiceiro: Welcome Back, Frank (ovacionada série mensal da autoria de Garth Ennis e Steve Dillon, originalmente publicada entre abril de 2000 e março de 2001) e The Punisher: Year One (minissérie composta por quatro volumes lançada nos EUA entre dezembro de 1994 e março de 1995).


Capas de Welcome Back, Frank nº1 (cima)
e de The Punisher: Year One nº1.
Hensleigh não se limitou, porém, a fazer uma colagem de elementos das sagas em questão. Empenhando-se, ao invés, na reinterpretação das motivações de Frank Castle. Sobre as quais teceu em tempos as seguinte considerações: "Tive de me questionar intensivamente sobre que tipo de crime hediondo cometido contra um indivíduo poderia levar mesmo quem repudia o vigilantismo a resolver fazer justiça pelas próprias mãos. Era essa a principal incógnita na minha equação. Foi por isso dei conta aos mandachuvas da Marvel que não era minha intenção filmar apenas uma história de vingança; queria apresentar a mãe de todas as histórias de vingança. Aprovada a minha ideia, tratei de reinventar vários dos aspetos da origem do Justiceiro, tornando-a ainda mais soturna e violenta. Exercício que muito me empolgou fazer."

Jonathan Hensleigh (esq.) e Thomas Jane.
A empolgação do cineasta esmoreceu consideravelmente quando, em vésperas do arranque das filmagens, lhe foi transmitido que o orçamento do projeto se quedaria pelos 33 milhões de dólares, dos quais somente 15,5 milhões se destinariam à produção propriamente dita. Ciente de que a maioria das fitas de ação dispunham de uma verba global a rondar os 64 milhões de dólares, Hensleigh não pôde deixar de sentir uma pontada de angústia. Pontada que se tornaria ainda mais aguda quando lhe foi apresentado o cronograma para as filmagens e pós-produção: 52 dias. Prazo que correspondia, sensivelmente, a metade do tempo alocado à maior parte das produções análogas.
Conforme é revelado nos comentários da edição em DVD de The Punisher, em consequência das restrições orçamentais e do apertado calendário, um significativo número de cenas inclusas na versão primitiva do enredo foram alteradas ou simplesmente eliminadas.
Por insistência do coargumentista Michael France, Tampa (cidade situada na costa oeste da Flórida) foi o local escolhido para acolher as filmagens. Para convencer os produtores das vantagens dessa localização, France fez-lhes notar que, além de sair mais barato filmar lá do que em Chicago ou Nova Iorque, Tampa providenciaria cenários ensolarados. Ora sucede que a cidade é extremamente propensa à ocorrência de repentinas e violentas intempéries. A despeito de as filmagens terem decorrido em meados de julho, desde 1890 que não havia registo de um verão tão chuvoso. Quadro meteorológico que, em larga medida, prejudicou a rodagem da película.
Além das já citadas sagas do Justiceiro, um sortido de filmes e de séries de ação dos anos 60 e 70 do último século serviram de inspiração a Jonathan Hensleigh: de Dirty Harry a The Godfather passando por Bonnie & Clyde, foram várias as influências que impregnaram o seu trabalho de realização. Numa entrevista concedida logo após a estreia de The Punisher, Hensleigh revelou ainda ter ido beber inspiração a Othello, tragédia literária que se conjetura ter sido escrita por William Shakespeare no ano de 1603. Surgindo no entanto as personagens em papéis revertidos, com Frank Castle a ser o catalisador do ciúme doentio que, no filme, leva Howard Saint a assassinar a sua esposa e o seu melhor amigo.
Com as filmagens em velocidade de cruzeiro, a Lions Gate interpôs um processo judicial à Artisan. Em consequência desse diferendo, não obstante a película ter sido distribuída sob a égide da Lions Gate, a verdade é que ela nada teve a ver com o projeto. Ao qual, aliás, nunca dera luz verde. Significando isto que, na prática, a "paternidade" deste The Punisher - tal como da película homónima de 1989 - pertence exclusivamente à Artisan.

Os criminosos podem rir da Lei,
mas não riem do Justiceiro.

Enredo: Quando Bobby Saint e Mickey Duka se encontram com o traficante de armas europeu Otto Krieg nas docas do porto de Tampa, o FBI intervém, daí resultando a morte do primeiro e a detenção do segundo. Também aparentemente morto no tiroteio, Krieg é na verdade um agente federal disfarçado chamado Frank Castle.
Pouco tempo depois desta operação, Castle demite-se do FBI e viaja com a sua esposa e filhos para a ilha de Porto Rico para participar numa reunião familiar em casa do seu pai, Frank Castle Sr.
A transbordar de ódio e rancor devido à perda do filho, o senhor do crime Howard Saint e o seu braço-direito Quentin Glass subornam agentes do FBI que lhes revelam a verdadeira identidade de Otto Krieg. De imediato Saint ordena o assassínio de Frank Castle, mas a sua esposa, Lívia, exige que toda a família Castle seja executada a sangue-frio, pois só assim as contas serão acertadas.
Em Porto Rico, a reunião do clã Castle é violentamente interrompida por um grupo de sicários a soldo de Howard Saint, no qual se inclui John Saint, o outro filho do mafioso, também ele ansioso por vingar a morte do seu irmão gémeo. Frank e o pai ainda conseguem abater alguns dos atiradores, antes de este último ser mortalmente atingido. 
Ao tentarem escapar do fogo cruzado, a mulher e os filhos de Frank são atropelados por um camião conduzido por John Saint. Alvejado no peito e atingido pelos estilhaços de uma explosão deflagrada por Glass, Frank é dado como morto após o seu corpo afundar nas águas da baía. 

O que move um homem a quem foi tirado aquilo que mais amava?
No entanto, Frank sobrevive milagrosamente, sendo resgatado por um pescador local que lhe providencia abrigo e faz o melhor que pode para lhe curar os ferimentos. Uma vez recuperado, o antigo agente federal e ex-operacional da Força Delta, regressa a Tampa, refugiando-se num edifício decrépito onde trava amizade com um trio de jovens inadaptados: Dave, Bumpo e Joan.
Naquele que será o primeiro capítulo da sua vingança, Castle rapta Mickey Duka, que de bom grado lhe fornece informações sobre a vida familiar e os obscuros negócios do clã liderado com mão de ferro por Howard Saint.
Entretanto, Frank caça, um por um, os agentes policiais e antigos colegas do FBI que, por fazerem parte da folha de pagamentos de Howard Saint, haviam dado por encerrada a investigação ao massacre da sua família. 
De seguida, é o próspero negócio de lavagem de dinheiro operado por Howard Saint a ficar na mira de Frank, que consegue mesmo sabotar a sua parceria com os irmãos Toro, dois mafiosos cubanos. Ao investigar Livia Saint e Quentin Glass, Frank descobre que este guarda segredo da sua homossexualidade.
À medida que os seus prejuízos se avolumam, Howard Saint deduz que Frank Castle permanece vivo e que é ele o responsável pela sabotagem dos seus negócios. Determinado em resolver o problema de uma vez por todas, Saint contrata dois assassinos profissionais para liquidar o seu obstinado inimigo.

O reinado criminoso de Howard Saint tem os dias contados.
Harry Heck, um falso guitarrista, é o primeiro a entrar em cena. Durante uma violenta refrega com Frank, acaba morto por ele com uma faca balística cravada no pescoço.
Segue-se o Russo, uma montanha de músculos com força e resistência descomunais, mas que acaba igualmente liquidado por Frank quando este lhe derrama óleo a ferver no rosto. Aproveitando a cegueira do seu adversário, Frank empurra-o por um lanço de escadas abaixo, partindo-lhe o pescoço.
Instantes depois, os homens de Saint acorrem ao local, liderados por Quentin Glass e John Saint. Dave, Joan e Bumpo escondem Frank, recusando-se a entregá-lo mesmo quando Glass tortura sadicamente o primeiro, arrancando-lhe vários dos seus piercings faciais com um alicate. 
Frustrados pela ausência de respostas, os malfeitores resolvem arrepiar caminho, deixando um dos seus companheiros para trás com ordens para matar Frank caso ele reapareça. Contudo, assim que Glass e os restantes abandonam o edifício, Frank mata o capanga e avança para a próxima fase do seu plano de retribuição.
Com a ajuda de Mickey Duka, Frank induz Howard Saint a acreditar que a sua mulher tem um caso com Quentin Glass. Ignorando a homossexualidade do seu lugar-tenente e descrente da fidelidade de Livia, Howard resolve matar ambos pessoalmente, sem que qualquer um deles compreenda o motivo.
Pouco tempo depois, Frank ataca o quartel-general de Howard Saint, um badalado clube noturno na baixa de Tampa. Do ataque resulta a morte de muitos dos asseclas de Howard, incluindo do seu filho John. 
Segue-se uma intensa troca de tiros no parque de estacionamento do clube, durante a qual Frank fere Howard Saint, amarrando-o de seguida pelos tornozelos ao para-choques de um automóvel. Antes de pôr o veículo em movimento, Frank conta-lhe que Livia e Glass nunca o haviam traído, e que tudo não passara de uma farsa por ele orquestrada. 
Enquanto o carro rodopia como um pião infernal pelo parque de estacionamento, arrastando consigo o corpo ensanguentado do vilão, Frank aciona vários engenhos explosivos que tinha plantado previamente. Processo que culmina com a morte de Saint e com o desenho flamejante da icónica caveira que serve de símbolo ao Justiceiro.

O Justiceiro é sinónimo de pena capital para os culpados.
Mais tarde naquela noite, Frank regressa ao seu modesto apartamento com a intenção de se suicidar. Mudando de ideias após ter uma fugaz visão da sua falecida esposa, que o encoraja a dar seguimento à sua campanha de punição a todos quantos se julgam acima da Lei. 
Antes de partir para a sua próxima missão, Frank deixa um saco de dinheiro que trouxera consigo do covil de Saint como um presente de agradecimento a Dave, Joan e Bumpo.
No cimo de uma ponte, banhado pela luz do crepúsculo, Frank faz o seu juramento solene: "Aqueles que fazem mal aos outros - assassinos, violadores, traficantes, psicopatas  - irão conhecer-me bem. Frank Castle está morto. Chamem-me Justiceiro!".

Trailer:




Prémios e nomeações: Nomeado em diversas categorias dos Taurus World Stunt Awards (galardão anual que, desde 2001, distingue as performances dos duplos de cinema), The Punisher saiu apenas vencedor na de Melhor Duplo de Fogo, prémio atribuído a Mark Chadwick.

Curiosidades:

* Apesar de ter sido a primeira escolha do realizador Jonathan Heinsleigh e do produtor Avi Arad para assumir o papel principal, Thomas Jane relutou em aceitá-lo. Após ter recusado um primeiro convite nesse sentido por não se considerar talhado para interpretar super-heróis, mudou de ideias graças à arte conceitual do Justiceiro desenvolvida por Timothy Bradstreet. Ilustrador cujo fabuloso trabalho em Blade II (2002) lhe valera reconhecimento internacional;
* Para corresponder aos exigentes requisitos físicos da personagem a quem, literalmente, aceitou dar corpo, durante sete meses Thomas Jane recebeu treino intensivo dos Navy Seals norte-americanos. Programa que, além da vertente atlética, incluiu também uma formação no manuseamento de vários tipos de armas. Em paralelo, o ator seguiu uma rigorosa dieta proteica que o ajudou a adquirir nove quilos de massa muscular em tempo recorde;
* Devido à deficiente divulgação feita pelas autoridades municipais de Tampa, as linhas de emergência foram entupidas com centenas de chamadas de moradores em pânico durante a rodagem de uma cena que incluía uma explosão junto à sucursal local do Bank of America;
* Ainda no campo dos incidentes, Thomas Jane esfaqueou acidentalmente Kevin Nash quando com ele contracenava - felizmente sem consequências graves. Tendo sido depois a vez de o próprio Thomas Jane sentir na pele o excesso de zelo de uma colega de representação. Numa cena em que deveria fingir suturar uma ferida a Frank Castle, Rebecca Romijn espetou-lhe, sem querer, a agulha no corpo;
* Foram propositadamente construídos para o filme cinco Pontiac GTO, dois dos quais acabariam totalmente destruídos. A opção por este modelo de automóvel foi justificada pela necessidade de marcar diferença em relação ao meio de transporte utilizado pelo Justiceiro na película de 1989. Recorde-se que Dolph Lundgren conduzia uma imponente Harley Davidson;
*No primeiro rascunho do enredo, o Justiceiro dispunha de um escudeiro na sua cruzada vindicativa. Ninguém menos do que David Lieberman, vulgo Microchip. Personagem que, na banda desenhada original, recolhe informações e presta assistência técnica e logística a Frank Castle (coadjuvando-o, esporadicamente, no teatro de operações). Microchip acabaria contudo riscado da história por ordem de Jonathan Heinsleigh, que com ele antipatizava particularmente;

Na BD, David Lieberman adjuva o Justiceiro
 sob o codinome Microchip.
* Estava igualmente previsto que a sequência de abertura do filme mostrasse uma encarniçada batalha ambientada no Koweit durante a primeira Guerra do Golfo. A ideia seria atualizar o cadastro militar de Frank Castle, um veterano do Vietname na história original. Essa seria, porém, uma das muitas cenas cortadas em consequência do austero orçamento da produção;
* A declaração que Frank Castle redige na ponta final da história, elencando os preceitos básicos da sua filosofia vigilantista, corresponde à primeira entrada do seu Diário de Guerra. É nele que, na BD, o Justiceiro regista o deve e o haver da sua campanha contra o crime organizado. E que serviu de base a The Punisher War Journal, outra das suas aclamadas séries mensais encerrada em janeiro de 2009;
* Na versão estendida da película, inclusa na edição em DVD, é apresentada uma trama secundária, na qual é revelado que Jimmy Weeks (antigo colega de Frank no FBI) fornecera, em troca do perdão de uma avultada dívida de jogo, informações sobre a família de Castle a Howard Saint. Após tomar conhecimento da traição de Weeks, Frank compele-o a cometer suicídio. Não foi, contudo, o registo macabro da cena a ditar a sua exclusão da versão cinemática, mas antes a necessidade de encurtar a duração do filme.

Outra das séries do Justiceiro
 que serviram de inspiração ao filme.
Legado: Antes de The Punisher ser trespassado pelo ricochete de críticas contundentes e deixado para morrer em lenta agonia, a Lions Entertainment planeara a produção de uma sequela. Avi Arad, presidente-executivo dos Estúdios Marvel, chegara mesmo a vangloriar-se de que essa seria a quinta franquia cinematográfica baseada na mitologia da Casa das Ideias. Também Jonathan Hensleigh sinalizou o seu interesse em dirigir o segundo capítulo da saga do Justiceiro. Personagem que Thomas Jane se mostrara entretanto disponível para voltar a encarnar. Numa entrevista concedida a uma publicação especializada, o ator chegou mesmo a confidenciar que The Punisher 2 teria o Retalho (Jigsaw) como mau da fita.
Devido à desapontante prestação do primeiro filme, o projeto para a realização de uma sequência direta seria, contudo, deixado em banho-maria nos três anos seguintes. Período durante o qual Jonathan Hensleigh escreveu um primeiro rascunho do guião, que deixou para trás quando resolveu bater com a porta, em meados de 2006.
Nesse mesmo ano, John Dahl foi sondado para ocupar a vaga deixada por Hensleigh, mas as negociações não chegaram a bom porto. Ao que consta, o realizador terá ficado desagradado com a fraca qualidade do enredo, e mais ainda com a recusa dos produtores em abrirem os cordões à bolsa.
Meses depois, em maio de 2007, Thomas Jane seguiria as pisadas de Dahl, invocando os mesmíssimos motivos. Com efeito, após ler o novo guião, da autoria de Kurt Sutter, o ator teve o seguinte desabafo no decorrer de uma entrevista radiofónica: "Aquilo que eu nunca farei é desperdiçar meses da minha vida a dar o litro por um filme em que não acredito. Adoro os tipos da Marvel e desejo-lhes as maiores felicidades. Entretanto, continuarei à procura de projetos que não me venham a causar embaraços no futuro." 
Sem demora, os Estúdios Marvel anunciaram, poucas semanas depois, os nomes do novo realizador e do novo ator principal: respetivamente, Lexi Alexander (um inexperiente cineasta germânico) e Ray Stevenson (ator nascido na Irlanda do Norte que, até aí, apenas numa ocasião fora cabeça de cartaz). De caminho foi ainda anunciado que o filme não seria afinal uma sequela, mas sim um relançamento da franquia do Justiceiro. Assim se explicando a escolha do título - Punisher: War Zone. Esta seria, de facto, a segunda tentativa nesse sentido, na medida em que The Punisher fora, também ele, um reboot da longa-metragem homónima de 1989, protagonizada por Dolph Lundgren.
Perante uma plateia extasiada, na edição de 2012 da San Diego Comic-Con International foi exibida uma curta-metragem do Justiceiro produzida por um fã e estrelada por ninguém menos do que Thomas Jane. Dirty Laundry contava ainda no seu elenco com outro astro de Hollywood habituado a dar vida a personagens saídas dos quadradinhos: Ron Perlman (Hellboy e Hellboy II - The Golden Army).Embora não-canónica, a película tornou-se objeto de culto, especialmente no ciberespaço.

Os três filmes do Justiceiro realizados até ao momento.

Veredito: 53%

Prometia muito esta segunda passagem do Justiceiro pelo grande ecrã. Talvez até demasiado à boleia de uma trama baseada em algumas das suas sagas mais emblemáticas, da presença de um astro de primeira grandeza (John Travolta) no elenco e, principalmente, pelo comprometimento da Marvel na sua produção. Dado que poderia ter feito toda a diferença, tendo em conta a relutância da Casa das Ideias em reconhecer oficialmente a película de 1989.
Ainda que, na minha modesta opinião, o primeiro The Punisher, apesar do seu caráter tosco - recebendo em Portugal um título a condizer (Fúria Silenciosa) - fique alguns furos acima desta nova aventura cinematográfica de Frank Castle. Que, por sua vez, também não é tão sofrível como a pintam. E que só não correspondeu às altas expectativas porque, a exemplo de tantos outros projetos artísticos, foi vítima da avareza de produtores de olhos postos apenas no lucro.
Claro que o filme tem as suas pechas. Apesar de o realizador ter ido beber diretamente à fonte e da sua vontade manifesta em inovar no que às motivações do protagonista dizia respeito, a verdade é que a história é basicamente a mesma. Salvo por algumas licenças poéticas tomadas por Jonathan Hensleigh, como o facto de este ser o primeiro filme em que o Justiceiro é colocado frente a frente com os carrascos da sua família.
No capítulo das representações, Travolta - que se imagina ter recebido um robusto cachê - parece ter ligado o piloto automático durante as gravações, servindo-nos um vilão com o carisma de um pepino. Contrastando, portanto, com um Thomas Jane que deu boa conta do recado no papel de Frank Castle. Cuja faceta mais violenta não foi, todavia, devidamente explorada neste filme.
Quem conhece minimamente as histórias do Justiceiro sabe que ele não hesita em aplicar métodos radicais capazes de deixarem qualquer defensor dos direitos humanos de cabelos em pé. Sendo essa, aliás,uma parte fundamental da sua estratégia para infundir terror nos malfeitores que ele jurou punir após a matança que vitimou a sua família.
Em The Punisher, a maior brutalidade fica, no entanto, por conta dos maus da fita. Facto a que não terá sido alheia a decisão de eliminar algumas cenas mais violentas em que o Justiceiro dava largas à sua veia sádica (ver Curiosidades).
Resumindo, não sendo uma pérola reluzente da 7ª Arte - tampouco uma referência dentro do género super-heroico - julgo que ninguém terá tido verdadeiramente motivos para exigir o reembolso no final da sessão. Ainda que talvez tivesse sido preferível guardar esses trocados para um filme que justificasse mais uma ida ao cinema. Se foi o vosso caso, que vos sirva de consolo que não falta por aí quem tenha pago para ver o mais recente reboot do Quarteto Fantástico. Essa, sim, uma razão mais do que suficiente para reclamar uma choruda indemnização. Que, no caso dos verdadeiros fãs grupo, reverteria em grande parte para sessões de psicoterapia, tal foi o trauma.







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