segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ETERNOS: ALEX RAYMOND (1909-1956)


  Precursor da Idade de Ouro da BD,  o virtuosismo e a exuberância da sua obra - que teve Flash Gordon como expoente máximo - valeu-lhe o epíteto de "o artista dos artistas". Fazendo-lhe jus, antes e depois da sua morte prematura, influenciou alguns dos seus pares mais ilustres e até cineastas visionários.

Fundada em 1688 por expatriados huguenotes fugidos às perseguições religiosas de que eram vítimas na sua França natal, Nova Rochelle, pequena e próspera cidade no sudeste do estado de Nova Iorque, orgulha-se sobremaneira da sua história e do seu riquíssimo património cultural. Do qual faz parte, entre outras celebridades que lá tiveram o seu berço, Alex Raymond. Um dos mais insignes e incensados mestres da 9ª Arte, cuja magnífica obra conserva um apelo intemporal tanto para os aficionados dos quadradinhos como para os oficiais do mesmo ofício.
Primogénito de um casal aburguesado composto por um engenheiro civil e uma mãe em tempo integral que além dele trouxeram ao mundo mais quatro filhos, Alexander Gillespie "Alex" Raymond, mercê da ascendência irlandesa do ramo materno da sua árvore genealógica entrelaçado nas raízes escocesas do seu pai, foi educado em harmonia com os preceitos do catolicismo numa cidade erigida por protestantes do Velho Mundo.
Desde tenra idade evidenciando excecional aptidão para o desenho, o pequeno Alex foi incentivado pelo pai - de quem herdara o nome e a pertinácia - a sublimar o seu traço. À guisa de recompensa pelo afinco do gaiato, várias das suas primeiras produções artísticas forraram as paredes do escritório do seu ufano progenitor, incansável em exibi-las a todos quantos lá adentravam. E que, não raro, ficavam abismados com o admirável talento do artista de palmo e meio.
Este e outros episódios de uma infância idílica pareciam prenunciar um futuro radioso para Alex Raymond. Futuro esse que ficaria, porém, repentinamente mais sombrio, na esteira do inesperado falecimento do seu pai.

O charme histórico de Nova Rochelle,
a cidade que viu nascer Alex Raymond.
Então um rapazinho de apenas 12 anos de idade e de coração entrevado pela dolorosa perda do seu ídolo, Alex Raymond viu-se obrigado a estugar o passo na sinuosa charneca da puberdade e a repensar todo o seu projeto de vida.
Em virtude da sua precoce orfandade, Alex Raymond tornou-se descrente na possibilidade de vir a construir uma carreira ligada às artes plásticas. Feito adulto antes de tempo, considerou, por isso, prudente expandir os seus horizontes profissionais. Com esse desígnio em mente - e beneficiando de uma bolsa de estudo atlética -, ingressou pouco depois na Iona Preparatory School, prestigiadíssima escola católica frequentada pela prole da fina-flor de Nova Rochelle e com admissão reservada a alunos do sexo masculino.
Concluído, sem sobressaltos de maior, o ensino secundário, Alex Raymond, na antessala da maioridade, conseguiu o seu primeiro emprego como estafeta em Wall Street. No coração financeiro da América, durante os loucos anos 20, prometia-se fortuna fácil a todos quantos se dispusessem a apostar no grande casino bolsista.
Em 1930, quando, devido ao crash bolsista do ano anterior, do Sonho Americano já pouco mais restava além de uma mala de cartão e de um par de sapatos muito gastos, Alex Raymond garantia agora o seu sustento como solicitador numa corretora de hipotecas.
Sem nunca desistir de cumprir o sonho de, um dia, vir a ganhar a vida a desenhar, Alex Raymond encetara, em paralelo, os seus estudos de Arte e Ilustração na afamada Grand Central School of Art de Nova Iorque, onde a ninguém passou despercebida a invulgar destreza do seu lápis.
Seria, contudo, a preciosa ajuda de Russell Westover, cartunista veterano celebrizado pelo seu trabalho em Tillie the Toiler - uma das mais populares tiras diárias que, naqueles dias de desesperança, distraíam os leitores estadunidenses das deprimentes manchetes dos tabloides - a fazer a diferença na vida de Alex Raymond. Foi, pois, pela mão deste seu antigo vizinho que o jovem Alex deu os primeiros passos na cada vez mais dinâmica indústria dos quadradinhos.
Ao serviço do King Features Syndicate - o lendário consórcio que provia de ilustrações boa parte da imprensa da altura -, Alex Raymond começou por ser o artista "fantasma" de Tillie the Toiler, emulando o traço do próprio Russell Westover. De cujo irmão, Lyman, seria também assistente na série Tim Tyler's Luck cabendo-lhe, além das tiras diárias, a produção das respetivas páginas dominicais.

Foi como artista "fantasma" de Tillie the Toliler
 que Alex Raymond fez a sua estreia nos meandros da 9ª Arte.
Nesses convulsos alvores da década de 1930, quando corria pelo mundo uma aragem de mau agoiro, as tiras de banda desenhada dedicadas às trepidantes aventuras de arquétipos varonis como Buck Rogers, Dick Tracy e Tarzan estavam em franca ascensão.
Enquanto os leitores se embeveciam com a gesta dessas e de outras personagens romanescas aparentadas com os super-heróis modernos, estava em curso uma guerra surda entre os vários syndicates. Cada um deles estava apostado em apresentar a tira mais cativante e o herói mais carismático.
A única exceção parecia ser o King Features Syndicate, à primeira vista alheado dessa acesa disputa pela preferência do público. Na verdade, os seus editores esperavam apenas o momento certo para entrar na liça. Até aí fechada em copas, a companhia fundada em 1914 e por onde passariam também Fantasma, Mandrake e Popeye, preparava-se para lançar, de rajada, uma mão-cheia de trunfos que prometiam virar por completo o jogo a seu favor.
Com efeito, em finais de 1933, Alex Raymond foi incumbido de desenvolver uma nova página dominical protagonizada por um aventureiro interplanetário que deveria competir diretamente com Buck Rogers. Criado 5 anos antes pelo escritor Philip Francis Nowlan, o intrépido herói futurista fora coroado rei da ficção científica, arregimentando, intra e extramuros, uma legião de fãs de todas as idades. Um reinado absoluto que tinha, no entanto, os dias contados.
Em articulação com Don Moore, escritor consagrado da literatura pulp  - e, ao que consta, acolhendo a sugestão feita pelo então presidente do King Features Syndicate, Joe Connolly - , Alex Raymond produziu um épico da ficção científica marcado pela sumptuosidade visual e inspirado no visionarismo da obra literária de Júlio Verne. A protagonizá-lo Flash Gordon, um jogador de polo de fisionomia apolínea e com a coragem de um Aquiles dos tempos modernos. Coadjuvado por Dale Arden - a sua delicodoce namorada - e pelo Doutor Hans Zarkov - génio científico e o mais leal dos seus amigos - o herói desdobrava-se entre a Terra e Mongo, o exótico planeta governado com punho férreo pelo crudelíssimo Imperador Ming, desde logo alcandorado a seu arqui-inimigo.
Um universo onde existia, de facto, mais fantasia do que ficção científica. E que, em derradeira análise, servia para Alex Raymond exercitar a sua pródiga imaginação.


Um dos muitos duelos de Flash Gordon com o Imperador Ming
 e o seu romance com Dale Arden imortalizados pelo primoroso traço de Alex Raymond.
Finalmente resgatado ao anonimato, Alex Raymond ansiava por demonstrar o seu real valor enquanto artista. Imprimiu, por conseguinte, o seu estilo elegante e límpido nas historietas de Flash Gordon, virtuosamente buriladas pelo seu lápis e prenhes de referências mitológicas. Compensando com a sua magistral conceção plástica as debilidades das tramas nas quais se perpetuava um maniqueísmo denunciador dos princípios morais do autor.
A Alex Raymond fora concomitantemente confiada a missão de criar uma personagem capaz de ombrear com Tarzan, cujas tiras diárias o haviam elevado ao estatuto de ícone popular. Foi nesse contexto que despontou Jim das Selvas (Jungle Jim, no original), servindo as florestas luxuriantes do Extremo Oriente de cenário principal às suas aventuras.
Apesar de, por oposição a Flash Gordon, nunca ter logrado superar o seu rival, Jim das Selvas obteve apreciável sucesso. Graças, uma vez mais, ao requinte do traço de Alex Raymond, esta sua segunda criação teve o mérito de se afirmar como uma alternativa consistente ao Homem-Macaco saído da imaginação de Edgar Rice Burroughs.

Jungle Jim, um rival à altura de Tarzan.
Cada vez mais aclamado pelos leitores, Alex Raymond depressa se tornou o artista mais requisitado pelos editores do King Features Syndicate. Que, no início, de 1934 (apenas duas semanas após a estreia de Flash Gordon e Jungle Jim), o cooptaram para ilustrar Secret Agent X-9, uma tira de espionagem escrita pelo famoso romancista Dashiell Hammett, e destinada a concorrer com as aventuras de Dick Tracy.
Obrigado a trabalhar a um ritmo infernal para conseguir produzir todas as tiras diárias e respetivas páginas dominicais, Alex Raymond, à beira do esgotamento, aproveitou a saída de Hammett, nos primeiros meses de 1935, para também ele abandonar as histórias do Agente X-9. Deixando para trás um trabalho que não é consensual entre os críticos da 9ª Arte. Entre os que o reverenciam como a melhor arte interior da época e os que lhe apontam algumas falhas narrativas, as opiniões dividem-se.

O menos consensual dos trabalhos de Alex Raymond
 primou, ainda assim, pelo brilhantismo.
A passagem de testemunho nas histórias do Agente X-9 permitiu a Alex Raymond concentrar-se nas suas duas criações - Flash Gordon e Jim das Selvas. Enquanto o fazia, os anos seguintes trouxeram o dealbar da Idade de Ouro dos comics estadunidenses e o cortejo de horrores da II Guerra Mundial. Duas realidades perpendiculares, na medida em que, ao arrepio da neutralidade inicialmente declarada pelos EUA, muitos foram os ilustradores nascidos em terras do Tio Sam a assumirem desde cedo uma posição beligerante, passando a refletir o momento histórico nos seus trabalhos. Basta observar o material publicado à época para constatar essa evidência.
Ao mesmo tempo que Tarzan, Fantasma e outros heróis clássicos enfrentavam nas respetivas tiras a ameaça totalitária que nos anos vindouros colocaria o mundo à beira do precipício, Alex Raymond, por seu turno, fez das histórias de Flash Gordon parábolas do expansionismo nipónico.
Numa época em que o País do Sol Nascente já havia invadido a Manchúria chinesa, não foi fortuita a atribuição de feições vincadamente orientais ao Imperador Ming. Tampouco foi obra do acaso o seu Exército Imperial evocar a claque nazi-fascista que, por esses dias, marchava imparável sobre  o Velho Continente, esmagando a esperança e a liberdade dos povos sob as suas pesadas botifarras.
Quando o ignóbil ataque japonês a Pearl Harbor precipitou a entrada dos EUA num conflito no qual tinha até aí relutado em envolver-se, muitos desenhadores americanos já estavam preparados para  dar o seu contributo à causa aliada. E se a maior parte desse apoio se quedou pelas páginas de banda desenhada, alguns deles transferiram-no mesmo para o campo de batalha.
Entre o contingente de artistas que trocou temporariamente os lápis e os pincéis pelas espingardas e baionetas, incluía-se Alex Raymond. No entanto, como mais adiante se verá, esse seu fervor patriótico render-lhe-ia alguns amargos de boca.
O último dos irmãos Raymond a tornar-se um G.I. Joe, em fevereiro de 1944 Alex Raymond alistou-se nos Fuzileiros Navais norte-americanos, sendo acolhido como uma celebridade pelos seus companheiros de armas - muitos dos quais tinham crescido a ler as histórias de Flash Gordon. À deferência daqueles com quem se relacionava, correspondeu sempre Alex Raymond com a fleuma de um cavalheiro que recusou todos os pedestais em que quiseram colocá-lo.
Integrado no departamento de Relações Públicas da Marinha dos EUA, Alex Raymond produziu cartazes e outra imagética de cunho patriótico que serviam fins propagandísticos. Duas dessas obras - datadas ambas de 1944 - tornar-se-iam icónicas: Marines at Prayer (ilustração para o boletim oficial da tropa, que retratava um grupo de fuzileiros em oração em pleno campo de batalha) e o postal de Natal dos Marines, cuja receita de vendas servia para ajudar ao esforço de guerra.

A icónica ilustração Marines at Prayer serviu de capa ao boletim oficial dos Marines.

Desejoso de desempenhar um papel mais ativo no conflito, Alex Raymond requereu transferência, no início de 1945, para o teatro de operações do Pacífico. A bordo do porta-aviões U.S.S. Gilbert Islands, pôde dessa forma testemunhar in loco a lendária batalha de Okinawa, ainda hoje considerada a maior operação militar marítimo-aeroterrestre da História - vencida, a duras penas, pelas forças aliadas sob comando norte-americano.
Desmobilizado no início de 1946 com a patente de major, o regresso de Alex Raymond à vida civil começou por ficar marcado por um dissabor. Isto porque a sua vontade em retomar o seu trabalho com Flash Gordon esbarrou na intransigência do King Features Syndicate em afastar Austin Briggs, o artista que, com assinável mérito, o substituíra quando ele partira voluntariamente para a guerra.
Apesar de nunca se ter pronunciado publicamente sobre este assunto, familiares e amigos de Alex Raymond asseverariam mais tarde que ele ficara deveras ressentido com aquilo que considerava ter sido um tratamento desrespeitoso por parte dos seus empregadores. Porventura à laia de ressarcimento por tal descortesia, o King Features Syndicate ofereceu-lhe, no entanto, a oportunidade de criar uma nova tira.
Estreada em março de 1946, Rip Kirby - série que, 3 anos depois, valeria a Raymond um Reuben Award, o mais importante galardão com que foi laureado em vida - apresentava as aventuras de um ex-oficial da Marinha que, depois da guerra, se lançara numa carreira como detetive particular. Além das evidentes notas autobiográficas incutidas por Alex Raymond, as estórias tinham como pano de fundo os bastidores da alta burguesia nova-iorquina, nostálgica de um mundo aristocrático em vias de extinção.

Apesar de Flash Gordon ter sido a sua criação suprema,
 Rip Kirby é por muitos considerado a obra-prima de Alex Raymond.
Na tradição das novelas noir, as tramas de Rip Kirby mostravam como a podridão moral enquista amiúde as classes mais abastadas. Suprimindo o maniqueísmo quase pueril que caracterizara as narrativas de Flash Gordon, Alex Raymond explorava agora pontos de vista mais complexos. Deixando claro, por exemplo, que o crime é frequentemente produto de um sistema económico iníquo que gera hordas de excluídos.
Complementarmente à incrível evolução na construção psicológica das suas personagens, Alex Raymond, eterno perfecionista, desenvolveu um método de trabalho que envolvia fotografia, pesquisa exaustiva de ambientes, vestuários e costumes, bem como a utilização de modelos de carne e osso. Este último um expediente a que, de resto, já havia deitado mão quando fora ilustrador de revistas como a Blue Book, Esquire e Cosmopolitan.
A este propósito, diria Alex Raymond o seguinte: «Estou sinceramente convencido de que a banda desenhada é uma forma de arte autónoma. Reflete a sua época e a vida em geral com maior realismo e, graças à sua natureza criativa, é artisticamente mais válida do que uma simples ilustração. O ilustrador trabalha com uma máquina fotográfica e modelos; o artista de BD começa sempre por uma folha de papel em branco e inventa sozinho uma história inteira. É ao mesmo tempo escritor, diretor de cinema, editor e desenhador.»
Alex Raymond foi, de facto, muito mais do que um simples ilustrador ou desenhador. Consagrado ainda em vida como "o artista dos artistas", assumia-se mais como um esteta cuja sofisticação de estilo serviu de bitola a muitos dos seus pares. Bob Kane, Joe Shuster e Jack Kirby, seus contemporâneos, foram apenas alguns dos grandes vultos da 9ª Arte a reconhecerem a influência do criador de Flash Gordon no seu desenvolvimento artístico. Influência que não diminuiu após a morte prematura de Raymond, estendendo-se também ao cinema.
Admirador confesso do trabalho de Alex Raymond, George Lucas nunca fez segredo da inspiração que foi beber a Flash Gordon para idealizar o panteão de Star Wars - saga que, ironicamente, influenciaria a estética e a dinâmica narrativa do filme de Flash Gordon de 1980.


Star Wars e Flash Gordon: um círculo de influências
 que teve em Alex Raymond o seu eixo comum.
Há quem defenda que os artistas atingem o seu zénite criativo aos 50 anos, por ser nessa idade que o talento e a experiência se equilibram de forma harmoniosa. A existir algum vestígio de verdade nesse aforismo, Alex Raymond foi roubado ao mundo quando tinha ainda muito para oferecer-lhe.
Naquele fatídico dia 6 de setembro de 1956, a menos de um mês de cumprir o seu 47º aniversário, o criador de Flash Gordon, que tinha nos automóveis outra das suas paixões, seguia ao volante do elegante Corvette descapotável do seu amigo e colega de ofício Stan Drake. Segundo consta, para tentar fugir à chuva que começara entretanto a cair, circulava duas vezes acima do limite de velocidade estabelecido numa estrada de Westport, no estado norte-americano do Connecticut, quando se despistou e colidiu violentamente com uma árvore. Ao contrário de Drake, salvo pelo cinto de segurança que levava colocado, Raymond teve morte imediata.
Durante algum tempo as circunstâncias em que se deu o despiste fatal suscitaram especulações. Com o próprio Drake a dizer-se firmemente convencido que Raymond teria querido suicidar-se, alegadamente devido a um caso extraconjugal. A sustentar esta macabra tese - categoricamente desmentida por familiares e pelo biógrafo oficial do artista - o facto de, no mês que antecedeu a sua morte, Raymond ter estado envolvido em quatro(!) acidentes rodoviários.

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A paixão de Alex Raymond por bólides desportivos revelar-se-ia fatal.
Acidental ou não, a morte prematura de Alex Raymond teve o condão de aureolar ainda mais a vida e obra de um artista que, pelo esplendor imorredouro do seu legado, viverá para sempre no imaginário coletivo e continuará certamente a inspirar novos talentos dos quadradinhos. Que assim poderão calcorrear o seu próprio caminho alumiados pelo exemplo de um dos mais excelsos mestres da BD.
A ele este humilde escriba - iniciado, muitos anos atrás, no fascinante mundo dos quadradinhos precisamente através das estórias de Flash Gordon - se curva em respeitosa vénia, na esperança de que este singelo tributo sirva para ajudar à celebração da magnífica obra de Alex Raymond, para sempre o suprassumo dos artistas.

Apontamentos finais

*Depois de ter sido contemplado, em 1949, com um Reuben Award - prémio atribuído anualmente pela National Cartoonists Society -, Alex Raymond seria eleito no ano seguinte para presidir à instituição. Cargo que exerceu até 1951;
*Alex Raymond foi nomeado, a título póstumo, para o Will Eisner Comic Book Hall of Fame (1996) e para o Society of Illustrators Hall of Fame (2014), duas das maiores distinções concedidas aos profissionais da 9ª Arte;
*Casado durante mais de um quarto de século com Helen Frances Williams - mãe dos seus cinco filhos; dois rapazes e três raparigas -, Alex Raymond deu o nome de duas das suas filhas à namorada de Rip Kirby, Judith Lynne Dorian;
*Irmão mais novo de Alex Raymond, Jim Raymond (falecido em 1981), também abraçou uma bem-sucedida carreira como cartunista. No seu currículo destaca-se o seu trabalho como assistente do lendário Chic Young em Blondie, tira humorística publicada pelo King Features Syndicate a partir de 1930;
*Alex Raymond era tio-avô dos atores Kevin e Matt Dillon, filhos da sua irmã Beatrice.

Alex Raymond e Flash Gordon: um legado que ecoa nas estrelas.

Agradecimento muito especial ao meu bom e mui talentoso amigo Emerson Andrade que, com a bonomia com que sempre acede aos meus pedidos, restaurou digitalmente a imagem que serve de ilustração principal a este artigo e providenciou a belíssima montagem que o encerra. 







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2 comentários:

  1. Como sempre, Ricardo Cardoso nos brinda com um texto magistral, que conta com deliciosas minúcias, a vida e obra deste que foi pra mim, e acredito que para a maioria dos desenhistas e amantes da 9º Arte, o melhor entre seus pares da aclamada Era de Ouro. Não só por ter criado um dos mais fantásticos e carismáticos personagem das HQs, mas também por ter ingressado ao mercado editorial dos quadrinhos, um novo estilo de se ilustrar, calcado em seu traço elegante e realista! Que para sempre seja lembrado e honrado o nome de Alex Raymond!

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